O Globo, n. 31529, 03/12/2019. País, p. 8

PF investiga suposto plano contra Bolsonaro

Naira Trindade
Bruno Góes


A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e prendeu um homem por um suposto plano de atentado contra o presidente Jair Bolsonaro. A prisão aconteceu após o suspeito publicar, na última sexta feira, fotos e vídeos numa rede social de um possível plano “que visava a atentar contra o presidente”, informou a Polícia Federal em nota.

O homem, que foi detido na última sexta-feira, trabalhava como terceirizado na Escola de Sargentos das Armas na cidade de Três Corações (MG), onde Bolsonaro esteve em visita oficial no mesmo dia da postagem, para uma solenidade de formatura do Curso de Sargentos.

A PF informou que os dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Três Corações (MG) e Alfenas (MG), após autorização da Justiça Federal. O caso é apurado sob suspeita de crime contra a segurança nacional, com pena prevista de três a dez anos de reclusão. Não foram divulgados detalhes sobre a identidade do suspeito, que tem 25 anos, nem sobre o plano.

PSL confirma hoje se vai punir 14 parlamentares

O diretório nacional do PSL deve confirmar hoje as 18 punições aplicadas pela comissão executiva aos deputados federais bolsonaristas. Na semana passada, o colegiado recomendou suspensão das atividades parlamentares de 14 deputados, advertiu outros quatro e arquivou o processo de mais dois.

Se confirmadas as suspensões, o PSL pretende destituir Eduardo Bolsonaro (SP) da liderança da legenda na Câmara dos Deputados. Estão cotados para o posto Joice Hasselmann (SP), Felício Laterça (RJ) e Felipe Francischini (PR).

Na semana passada, a executiva recomendou afastamento de 12 meses das atividades parlamentares de Eduardo Bolsonaro, Bibo Nunes (RS), Alê Silva (MG) e Daniel Silveira (RJ). Já Sanderson (RS) pode ser suspenso por dez meses.

O líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (GO), e Carlos Jordy (RJ) receberam sugestão de suspensão de sete meses. Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR) e Márcio Labre (RJ) podem ser afastados por seis meses. Cabo Junio Amaral (MG), General Girão (RN) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), por três meses.

A advertência escrita deve ser aplicada a Aline Sleutjes (PR), Coronel Armando (GO), Chris Tonietto (RJ) e Hélio Lopes (RJ). Aos deputados Guiga Peixoto (SP) e Luiz Ovando (MS), a recomendação foi pelo arquivamento das representações.

O parlamentares que forem punidos pretendem recorrer à Justiça para reverter a decisão, segundo a deputada Alê Silva (PSL-MG). Eles alegam perseguição e devem ser representados pelos advogados na reunião de hoje. Os bolsonaristas acusam o presidente nacional do partido, Luciano Bivar (PE), de não dar transparência às contas do partido.

— O tribunal interno que criaram é um tribunal de exceção. No Conselho de Ética só se encontram pessoas de confiança do Bivar — criticou Alê Silva.