O Estado de S. Paulo, n. 46925, 09/04/2022. Economia & Negócios, p. B1

Recorde, inflação vai a 1,62% em março

Daniel Amorim 


A inflação mostrou mais uma vez que não está disposta a dar trégua. Em março, o IPCA atingiu 1,62%, o maior patamar para o mês desde 1994, antes do lançamento do Plano Real. Em 12 meses, acumula um avanço de 11,3%, segundo o IBGE.

O número, puxado pelos preços dos combustíveis e dos alimentos, foi uma surpresa negativa para o mercado, que esperava um avanço de 1,35%. E, por conta disso, os economistas voltaram a subir as projeções de inflação para o ano – que chegam a ultrapassar os 8%.

A LCA Consultores, por exemplo, elevou de 7,5% para 8% a sua projeção para o IPCA, após a surpresa para cima com o resultado de março. Em relatório, Fábio Romão, economista da consultoria, disse que os dados sugerem pressões disseminadas à frente.

O Itaú revisou sua projeção de 6,5% para 7,5%. O Credit Suisse espera inflação de 7,8% no ano, e o Bank of America projeta 8%.

O banco BNP Paribas tem projeção ainda mais pessimista: 8,5% no ano. “A surpresa (com o IPCA de março) teve vários componentes, não vejo explicações pontuais. Seguimos bastante preocupados com a dinâmica inflacionária”, disse o chefe de pesquisa econômica para América Latina do banco, Gustavo Arruda.

Os dados reforçam a perspectiva de novos aumentos na taxa básica de juros, a Selic, avaliou o economistachefe da corretora Necton Investimentos, André Perfeito. Ele espera uma alta de 1 ponto porcentual na Selic na reunião de maio do Comitê de Política Monetária do Banco Central, seguida de um outro aumento de 0,5 ponto em junho, para o patamar de 13,25% ao ano.

Sérgio Vale, economistachefe da MB Associados, acredita que, nesse cenário, a Selic terá de ir a 13,5%. •