Título: Bloqueio aéreo é uma equação militar complicada e de risco
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: Jornal do Brasil, 10/03/2011, Internacional, p. A10
A criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia significa intervenção militar e apoio, ainda que indireto, ao movimento rebelde. Há um complicador, a mudança das dezenas de rotas internacionais que utilizam o corredor do espaço líbio - medida que, na prática, já está sendo executada. As regras do bloqueio são duras. Qualquer aeronave que invada os limites da área impedida, será abatida. A vigilância prevista é por meio de radares fixos da Otan e dos sistemas de alerta avançado embarcados em grandes jatos, carregados de sistemas eletrônicos. O braço armado desse complexo fica por conta da frota de caças pesados da aliança atlântica - joias finas do arsenal europeu e americano como o Typhoon, resultado de um consórcio de quatro países. Cada jato não sai por menos de 90 milhões. Ainda seria necessário transferir amplos recursos - pessoal de terra estimado em milhares, e não menos de 350 aeronaves para cumprir cerca de 200 missões por dia. As bases da Itália são as mais próximas do Norte da África. Estão todas na região centro-sul, ao longo do litoral do Mediterrâneo. Ontem, o Conselho de Defesa, em Roma, decidiu que seguirá as decisões da ONU e da Otan.
Resolvida a questão dos meios, a resistência de certos governos, como o da Grécia, em aplicar a zona de exclusão, passa pelas implicações políticas de um gesto de força, no momento em que o conflito interno em um Estado nacional reconhecido,está indefinido e segue ganhando contornos de guerra civil. "Não é nada que se assemelhe ao que houve nos Bálcãs nos anos 90, em que se cometia um genocídio, e a logística do bloqueio era mais fácil - na Líbia, a luta é mesmo pelo poder", disse o analista Benjamin Barry, do Instituto de Estudos Estratégicos de Londres.
Mas a principal dúvida envolve o Conselho de Segurança da ONU. A França apoiará a proposta dos Estados Unidos. A Rússia e a China concordam com a aplicação de sanções econômicas e consideram uma intervenção armada. A Otan pode começar, em oito horas após o sinal verde, a mobilização da sua Força de Pronta Resposta, formada por 14 mil combatentes. A equação militar é complicada e custa caro . O território líbio é cinco vezes maior que a Alemanha, 65% deserto. É pouco provável que a coalizão do atlântico siga adiante sem uma autorização internacional.