Título: EUA estudam um modo de atuar em conflito no Oriente Médio
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: Jornal do Brasil, 10/03/2011, Internacional, p. A10
Ao mesmo tempo em que Washington tenta não se envolver em crise, opções de interferência na região são analisadas
O governo dos EUA estuda uma forma de não se envolver em um novo conflito no mundo islâmico ao mesmo tempo em que busca adotar uma atitude para conseguir derrubar Muamar Kadafi do poder ou ao menos interromper a violência de seu regime contra os opositores.
A ação mais cogitada pelos americanos é o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea, que ainda enfrenta obstáculos diplomáticos e logísticos. Primeiro, o presidente Barack Obama não está disposto a levar adiante esta operação sem o aval do Conselho de Segurança da ONU ou um acordo entre os países-membros da Otan.
"Os EUA devem deixar claro que estão dispostos a impor uma zona de exclusão aérea com autorização do CS, a ajuda (de outros países) e preferivelmente com o apoio da Liga Árabe", disse Bruce Jones, do Brookings Institute. Uma ação unilateral poderia deteriorar a imagem internacional dos EUA, já envolvido em guerras no Afeganistão e no Iraque.
Nesta semana, a França e a Grã-Bretanha começaram a elaborar uma nova resolução para ser votada no CS.
Há dez dias, o órgão aprovou um pedido para que Kadafi e membros de seu regime sejam julgados por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.
Na época da aprovação, foi levantada a hipótese de ser adotada a zona de exclusão aérea, mas muitos ainda achavam que o líder líbio cairia nos dias seguintes, como Hosni Mubarak, no Egito, e Ben Ali, na Tunísia.
Agora, a principal dificuldade será convencer a China e a Rússia. Os dois países possuem poder de veto no CS e já deixaram claro não estar dispostos a aprovar uma nova resolução. Internamente, nos EUA, além de falta de apoio da população, há resistências do Pentágono.
"Para impor uma zona de exclusão aérea, é preciso eliminar as defesas antiaéreas antes. Isso se torna um problema de inteligência. Quais são as defesas da Líbia e onde estão localizadas? É possível dizer que os líbios não possuem estas defesas. Mas não dá para assegurar esta hipótese sem testar. E testes são perigosos", escreveu George Friedman, da agência de risco político Stratfor.