Título: Banqueiro depõe na Polícia Federal
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 13/04/2005, Economia & Negócios, p. A17

O banqueiro Daniel Dantas será ouvido hoje na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e deve sair de lá indiciado pelos mesmo crimes alegados contra Carla Cicco.

Amanhã, a PF deve apresentar à Justiça Federal o relatório sobre a Operação Chacal, que desbaratou a bisbilhotagem da Kroll Associates no Brasil. O relatório deve ser redigido após o depoimento de Dantas. A PF não dá detalhes sobre as investigações, alegando ''segredo de Justiça''. O relatório permitirá que o Ministério Público apresente denúncia contra os envolvidos.

Além de Dantas e Carla, o novo relatório da PF deve abordar uma análise ainda mais apurada das provas levantadas sobre a organização criminosa, que cooptava servidores e ex-servidores públicos para conseguir informações sigilosas no Brasil.

O esquema que abastecia Dantas e Carla com quebras de sigilo telefônico, bancário e fiscal era monitorado pela Kroll da Inglaterra. Os representantes da empresa em Londres, William Peter Goodall e Omer Erginsoy, tiveram reuniões com Dantas e Carla Cicco na sede do Opportunity no Rio de Janeiro. Participavam também das reuniões o representante da Kroll na Itália, o inglês Charles Carr.

A Kroll tem tentado desassociar sua imagem dos espiões contratados no Brasil, entre eles o português Tiago Verdial e a brasileira Júlia Cunha, mas as apreensões feitas no ano passado, no entanto, mostram até cópia dos recibos de pagamento da Kroll para Verdial, além de várias escutas e troca de e-mails dos espiões no Brasil com a Inglaterra. Após a PF encerrar o esquema ilegal de espionagem da Kroll, as investigações mostraram que o detetive israelense Avner Shemesh passou a espionar desafetos do banqueiro. A lista de pessoas investigadas por Shemesh inclui o empresário Luis Roberto Demarco, ex-sócio de Dantas, e um jornalista de TV, também apontado como desafeto do banqueiro. A confirmação de que o espião israelense investigou desafetos de Dantas poderá complicar ainda mais a situação do banqueiro e sua principal executiva, a presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, indiciada na segunda-feira pela PF por formação de quadrilha, divulgação de segredo e corrupção ativa, pelo envolvimento no esquema de espionagem ilegal.