Título: Mulheres ocupam espaço na Sé
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/04/2005, Internacional, p. A8
Em um mundo dominado por homens, algumas mulheres católicas estão trilhando o caminho para a participação feminina na Igreja.
- Se você tirar o assunto da ordenação da mesa, as mulheres têm avançado significativamente no Vaticano - diz a freira Mary Ann Walsh, porta-voz da Conferência de Bispos Católicos nos Estados Unidos.
Um bom exemplo disso é a irmã franciscana Judith Loebelein, também chamada de ''irmã web''. Loebelein cuida do site onde o papa João Paulo II postava seus ensinamentos em seis línguas diferentes.
Uma freira salesiana italiana, irmã Enrica Rossana, foi nomeada, no ano passado, ao terceiro posto hierárquico no escritório do Vaticano que supervisiona homens e mulheres religiosos - a primeira vez de uma mulher no cargo desde que a Cúria Romana foi estabelecida no século 16.
- O poder do homem está diminuindo e isso vai levar as mulheres a postos importantes - afirmou Paul Hoffmann, autor do livro As mulheres do Vaticano. - Não há mais padres suficientes.
Elas são ainda 10% dos 400 funcionários das divisões mais importantes da Santa Sé. Segundo as leis da Igreja, os departamentos mais influentes têm de ser dirigidos por cardeais ou bispos.
- Tudo é bem mais devagar na Igreja, mas as mudanças já começaram - diz Joan Colemacine-Parenti, uma americana que tem doutorado, ensinou Literatura na Universidade Temple e trabalha no Vaticano há 30 anos. Ela supervisiona as traduções das publicações do Conselho Pontífice para a Família.
O avanço feminino na Santa Sé é fruto em parte dos títulos recebidos por mulheres em universidades pontifícias. A irmã Mary Pierre Jean Wilson, por exemplo, é a primeira e única advogada a trabalhar no departamento que lida com as universidades católicas. Recentemente, ela criou uma rede computadorizada com mais de mil universidades e instituições católicas ao redor do mundo.
Collemacine-Parenti afirma que as mulheres têm ganho influência nos conselhos consultivos do Vaticano, em especial quando os temas são o cuidado com a saúde e o diálogo ecumênico. Freiras e irmãs são 35% do staff dos 11 conselhos papais.
Em 1994, o papa criou a Academia Pontifícia de Ciências Sociais, uma reunião de cientistas, economistas e professores. Dez anos depois, João Paulo II nomeou a professor da Harvard Mary Ann Glendon para liderar o painel, que aconselha a Igreja em questões sociais. A pesquisadora tem a mais alta posição atingida por uma mulher no Vaticano.
No ano passado, o pontífice nomeou uma freira americana e outra alemã pela primeira vez para o principal grupo teológico da Igreja, a Comissão Internacional Teológica.
- O papa queria um envolvimento maior das mulheres - diz a irmã americana Sara Butler, de 65 anos.