Título: Refém brasileiro já estaria morto
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 15/04/2005, Internacional, p. A9
Engenheiro não teria resistido a ferimentos
BAGDÁ E LONDRES - O engenheiro brasileiro João José Vasconcellos Jr., seqüestrado pela guerrilha sunita iraquiana em 19 de janeiro, estaria morto. A informação foi divulgada ontem à noite pelo correspondente do Jornal Nacional em Jerusalém, Marcos Losekan, a partir de um contato com uma fonte britânica ligada às investigações. Sabe-se que uma empresa da Grã-Bretanha era responsável pela segurança dos funcionários da empreiteira Odebrecht na execução de um projeto de termelétrica em Beiji, no Norte do Iraque. João foi seqüestrado a caminho do aeroporto, no dia em que regressaria ao Brasil. Dois seguranças foram mortos na ação.
Segundo o JN, o grupo que se diz responsável pelo seqüestro teria revelado que João José morreu ao chegar ao cativeiro, vítima dos ferimentos que sofreu durante a ação, quando houve intensa troca de tiros. Essa hipótese já tinha sido aventada antes, mas foi desmentida. Porém, a falta de qualquer informação sobre o refém fez com que voltasse a ser considerada.
A fonte britânica contactada pelo telejornal afirmou que a preocupação atual das autoridades brasileiras envolvidas na investigação é obter uma prova de que João José está vivo ou morto. Poderia ser uma foto na qual ele apareça com um jornal do dia, ou, em caso de ter morrido, um chumaço de cabelo para a realização de exames de DNA. De acordo com a reportagem, o Itamaraty afirmou que continua trabalhando como se o engenheiro ainda estivesse vivo.
O correspondente em Jerusalém concluiu dizendo que os seqüestradores estariam, agora, exigindo um resgate de US$ 400 mil para devolver o corpo do brasileiro.
No mesmo dia em que 11 pessoas morreram e 28 ficaram feridas num duplo atentado suicida com carros-bomba no Iraque, o secretário britânico de Relações Exteriores declarou, ao Financial Times que Londres deve retirar-se do país árabe em 2006. O ataque ocorreu perto da universidade, em Bagdá. Abu Musab Al Zarqawi, chefe da Al Qaeda no país, reivindicou a ação.