Título: Religiosos aprovam projeto
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Jornal do Brasil, 17/04/2005, País, p. A2

- Representantes de diversas religiões defenderam a aprovação do projeto de lei do deputado Roberto Gouvêa (PT-SP), que abre espaço para a prática da ortotanásia no Brasil. Católicos, espíritas e evangélicos ressaltaram que o direito a uma morte digna, natural, muitas vezes ao lado de seus familiares e amigos, deve ser estendido a todas as pessoas. - Se chegou o momento em que reconhecidamente as práticas médicas não respondem, é preciso deixar a vida transcorrer seu curso e a pessoa, morrer com dignidade - reforçou o assessor da Comissão Episcopal Pastoral da CNBB, José Maria da Costa.

Costa afirmou que a Igreja é frontalmente contrária à prática da eutanásia e da distanásia, também considerada ''obstinação terapêutica''. O que ele destaca é o cuidado para que as práticas não se confundam.

- Ministrar uma dose dois de morfina, por exemplo, pode diminuir a dor. Mas se a dose for cinco, mata o paciente, é eutanásia. Estamos no fio da navalha - confirmou José Maria.

Para a presidente da Associação Médico-Espírita Brasileira e Internacional, Marlene Rossi Nobre, o paciente tem direito a opinar sobre seu tratamento que quer receber. Não deve, contudo, pedir que o médico abrevia sua vida. Nem tampouco o médico tem o direito de fazê-lo. Tem o direito, também, de procurar a companhia daqueles a quem é ligado afetivamente, para uma ''passagem'' mais tranqüila.

- Essa é a lógica da vida, o desencarne quando todos os fluidos vitais que nos prendem ao corpo físico se extinguem - defendeu.

O presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (FENASP), Bispo Rodovalho, defendeu que o Estado ofereça ao paciente o direito à uma morte digna. Lembrou que a religião baseia-se nos atos de fé. Segundo ele, ao optar por morrer em casa, de forma natural, a pessoa vai receber a coragem encaminhada por Deus para enfrentar estes momentos finais, ao lado de amigos e familiares.