Título: Inflação atingirá meta em 2012, diz BC
Autor: Nakagawa, Fernando ; Fernandes, Adriana
Fonte: Jornal do Brasil, 09/09/2011, Economia, p. B1/3/4

Na contramão de analistas econômicos, BC avalia que melhorou o controle das contas públicas, o que deve ajudar no controle da inflação

Depois do pico de alta verificado em agosto, o Banco Central aposta num cenário de queda da inflação em 12 meses a partir do quarto trimestre deste ano com o processo de desaceleração do ritmo de crescimento do Brasil e maior fragilidade da economia global.

Mas para que esse cenário se realize, permitindo a convergência da inflação em 2012 ao centro da meta de 4,5%, o Comitê de Política Monetária (Copom) acabou colocando peso ainda maior na necessidade de contenção das despesas públicas.

A ata do Copom, divulgada ontem, deixa claro que o cumprimento do compromisso do governo com maior aperto fiscal em 2011 e 2012 será parte "relevante" nas próximas decisões de política monetária. Na contramão de muitos analistas econômicos, o BC avaliou que houve sim uma "revisão" da política fiscal por parte do governo, reduzindo favoravelmente o balanço de riscos para a inflação.

Na véspera da decisão do Copom que baixou os juros de 12,50% para 12%, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um esforço fiscal extra de R$ 10 bilhões em 2011 e assegurou o cumprimento da chamada meta cheia de superávit primário das contas do setor público em 2012. Muitos economistas, no entanto, consideram que o aperto maior de 2011 virá graças a receitas atípicas e avaliam que será muito difícil o governo cumprir o que prometeu em 2012 diante do cenário de alta de despesas já contratadas, como o aumento do salário mínimo. Por isso, desconfiam das justificativas do BC para reduzir os juros.

Morde e Assopra. Apesar de o BC colocar as fichas numa desaceleração mais forte da economia por causa do quadro de deterioração do cenário internacional, a edição de ontem da ata veio na linha "morde e assopra". O texto diz, por exemplo, que há moderação na expansão do ritmo da atividade doméstica, ou seja, a economia está desacelerando. Em seguida, aponta três fatores que vão na direção contrária: o crédito deverá continuar se expandindo, a confiança dos consumidores e industriais segue em alta e o mercado de trabalho deve continuar aquecido.

Enquanto o BC mostra em alguns trechos da ata sinais de melhora para a inflação, em outros mantém a mesma avaliação sobre os riscos para alta dos preços apontada nas reuniões recentes do Copom. A ata lista itens que apontam para a menor pressão sobre os preços, mas o texto reconhece que continuam existindo fatores internos que pressionam a inflação para cima.

O economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molan, fala sobre a aparente incoerência dos argumentos do BC. "Não acho que é contradição. A existência de vários cenários resulta desse ambiente econômico cheio de incertezas", disse.