Título: Em abril de 1990, índice superou os 6.821% ao ano
Autor: Nakagawa, Fernando ; Fernandes, Adriana
Fonte: Jornal do Brasil, 09/09/2011, Economia, p. B1/3/4

Se hoje o temor com a inflação é se o IPCA fechará o ano acima do teto da meta do governo - de 6,5% ao ano -, nas décadas de 80 e 90 a população se "armava" com calculadoras para fazer o salário não desaparecer até o fim do mês. No pior período, em abril de 1990, a inflação anual chegou a 6.821,31%. Nesse contexto, a década de 80 deixou lembranças terríveis. A inflação acumulada no período atingiu 36.850.000%!

Na luta contra o avanço dos preços, planos econômicos e ministros se sucediam. Desde 1981, foram seis moedas e 16 ministros da Fazenda. Entre os planos, o mais lembrado talvez seja o Brasil Novo (ou Collor), lançado no primeiro dia do governo de Fernando Collor de Mello.

O pacote alterou a moeda de cruzado novo para cruzeiro e confiscou as cadernetas de poupança e outras aplicações superiores a 50 mil cruzados novos.

Após o impeachment de Collor, em outubro de 1992, assume o vice Itamar Franco, que promove o então ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, ao Ministério da Fazenda. Em dezembro do mesmo ano é lançado o Plano de Estabilização Econômica, que preparou a economia para o real, que passaria a circular em julho de 1994. Antes, foi adotada a Unidade Real de Valor (URV) como indexadora única da economia.

Desde então, a inflação seguiu em trajetória declinante, especialmente após a adoção, em 1999, do sistema de metas, do câmbio flutuante e da política fiscal baseada em superávits primários.