Título: Faturamento da indústria cresce 2,26%
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 16/04/2005, Brasília, p. D3

Embora o resultado de fevereiro tenha sido positivo na comparação o mês anterior, houve uma retração de 0,23% no emprego

O faturamento da indústria brasiliense cresceu 2,26% em fevereiro desse ano, na comparação com o mês anterior. Na comparação com fevereiro de 2004, a expansão foi de 8,39%. Entretanto, o setor apresentou queda no contingente de empregados de 0,23%, frente a janeiro. A capacidade instalada passou de 65,39%, em janeiro, para 63,44%, em fevereiro. Os dados são da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra/DF). Segundo o economista da Fibra, Diones Cerqueira, o aumento do faturamento foi atípico, em fevereiro, uma vez que nesse período costuma-se ter redução do lucro devido ao menor número de dias úteis em relação a janeiro. O economista explica que o aumento do faturamento deve-se à reposição salarial do setor privado ocorrido em 2004 e à expansão do crédito, principalmente para aposentados e pensionistas.

A expansão no faturamento reflete o crescimento positivo de 26,43% dos segmentos de processamento de grãos, em fevereiro contra o mesmo período do ano passado. O ramo de metal mecânica apresentou alta de 20,65% e de edição e impressão de 13,52%. No setor de serviço, o destaque foi do segmento de tecnologia da informação, com acréscimo de 12,26%.

Já a indústria de construção civil apresentou nova queda no faturamento em fevereiro de 2,29%, na comparação com o mesmo período de 2004, e 20,29%, frente a janeiro desse ano. Segundo a Fibra, esse resultado é característico para o segmento nos primeiros três meses do ano, com o início do ciclo de recuperação no período seguinte.

O decréscimo do pessoal empregado na indústrial do DF refletiu as demissões dos ramos eletroeletrônicos, com queda de 2,27%, seguido por tinturaria e lavanderia (1,45%) e reparação de veículos (1,24%), em fevereiro na comparação com janeiro.

- Se for mantida a escalada da taxa básica de juros, a Selic, que começou em setembro do ano passado, as perspectivas são de limitação da capacidade produtiva no médio e longo prazo - afirma o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas.

Expectativa - A pesquisa Sondagem Conjuntural da Indústria do DF revela que os empresários continuam confiantes no desempenho da economia brasiliense. O índice de confiança ficou em 58,28 pontos, para o segundo trimestre de 2005. Dos 145 empresários ouvidos, 45,2% tem a intenção de realizar algum investimento no próximo trimestre, frente aos 44,2% da sondagem anterior.

Parque Digital - O vice-presidente da Fibra convocou o Fórum do Setor Produtivo do DF para discutir, na próxima semana, sobre a definição da poligonal do Parque Nacional de Brasília. A definição é necessária para que seja instalado, na região, o Parque Digital, com investimentos de R$ 2 bilhões e geração de 40 mil empregos. No entanto, há um impasse entre o relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Pinheiro (PL/DF) e o Ibama.

- Precisamos de uma solução urgente. Vamos mobilizar empresários e parlamentares porque o Parque Digital é importante para a economia do DF- afirma Caldas.