Título: Com cinco meses de atraso, Picciani pede agilidade
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 19/04/2005, País, p. A4
Só depois da absolvição do deputado Alessandro Calazans - acusado de quebra de decoro parlamentar - na última quinta-feira, a Assembléia Legislativa do Rio decidiu pedir agilidade na decisão do tipo de votação a ser usada em cassação. O presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), agendou para hoje um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, para tratar do assunto.
Há cinco meses Calazans vinha sendo investigado pela Alerj, por suspeita de negociar votos na CPI da Loterj/RioPrevidência, da qual era presidente. No entanto, só agora, preocupado com o desgaste da imagem da Alerj, Picciani vai a Brasília pedir solução para as Ações Diretas de Inconstitucionalidade questionando o dispositivo da Constituição Estadual que permite a votação aberta em cassações.
A escolha da forma de votação usada no caso de Calazans foi feita terça-feira passada durante uma reunião da Mesa Diretora e dos líderes partidários. Dos nove deputados que hoje acompanham Picciani em Brasília, Pedro Fernandes (PFL), Acárisi Ribeiro (PSC), Eliana Ribeiro (PMDB), Lendro Sampaio (PMDB) e Marco Figueiredo (PSC) optaram pelo voto fechado.
Modificada em 2001, a Constituição Estadual que determina o voto aberto vai de encontro à Constituição Federal que garante voto secreto em casos de cassação. A divergência permitiu que Marcos Abrahão (PRTB) - envolvido em denúncias sobre o assassinato do deputado Valdeci de Jesus, de quem era suplente - fosse cassado em votação aberta e retornasse à Alerj por decisão judicial.