Título: Meirelles vê inflação sob controle
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/04/2005, Economia & Negócios, p. A21
Supremo avalia foro privilegiado de presidente do BC
BRASÍLIA e NOVA YORK - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, marcou para o próximo dia 5 o julgamento das duas Adins (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) que contestam o status de ministro do presidente do Banco Central. As duas medidas foram apresentadas pelo PSDB e PFL, já entraram na pauta do Supremo, mas o julgamento foi adiado. O ministro Marco Aurélio de Mello, relator do pedido de investigação encaminhado pelo Ministério Público contra Henrique Meirelles, espera apenas a análise das Adins.
O MP investiga Meirelles por suposto crime contra o sistema financeiro, crime eleitoral e evasão de divisas. A investigação do MP, se aberta, poderá passar pela quebra de sigilo fiscal do presidente do BC e das empresas por ele controladas.
Meirelles estava ontem em Nova York, junto com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em encontros com investidores. Em palestra na Câmara de Comércio Brasil-Estados, o presidente do BC enfatizou que a política monetária está dando resultados. E argumentou que a inflação tem baixado de forma constante.
- A política monetária no Brasil tem mostrado que funciona como nos demais países do mundo. É importante que persistamos nessa política porque tem dado certo. E certamente a experiência mostra que ela vai continuar dando certo - afirmou. - O BC está comprometido com as metas e está seguro de que estamos convergindo para as metas.
Analistas ouvidos pelo BC, no entanto, mantiveram em alta as projeções para a inflação neste ano. As estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2005 subiram de 6,04% para 6,1%, na pesquisa Focus. Foi o sétimo aumento consecutivo para a inflação.
Mesmo assim, a maioria dos economistas ainda aposta na manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 19,25% ao ano pelo Copom na reunião de hoje e amanhã. As estimativas mais pessimistas dão conta de um aumento de 0,25 ponto, levando-se em conta as recentes altas nas perspectivas de inflação.
Mais uma notícia promete levar divergência à reunião do Copom. Apesar de o Brasil estar no nível mais alto de juros reais do mundo, a taxa ao consumidor atingiu em março o mais baixo patamar dos últimos quatro anos, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac). O juro médio para pessoas físicas foi de 7,55% no mês passado (139,51% anuais). A redução ocorre mesmo após aumentos consecutivos na Selic. O grande responsável pela queda é o aumento do crédito com desconto em folha do trabalhador e do aposentado e pensionista.