Título: Indicado de Bush sofre no Senado
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Fonte: Jornal do Brasil, 22/04/2005, Internacional, p. A12
Presidente faz apelo em prol de John Bolton, cuja nomeação para embaixador dos EUA na ONU está ameaçada
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George Bush, fez um apelo ontem ao Senado americano para que a casa ''deixe de lado a política'' e confirme o nome de John Bolton, indicado pela Casa Branca, para o cargo de embaixador do país na ONU.
A nomeação do embaixador é normalmente confirmada pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado. No entanto, a candidatura passou a ser ameaçada depois que o voto de confirmação foi adiado na terça-feira, quando o republicano George Voinovich, de Ohio, um moderado que tem sido o fiel da balança na decisão, disse não estar preparado para votar. Além disso, o Comitê Judiciário do Senado pediu três semanas para avaliar as denúncias contra o indicado.
Desta forma, a oposição democrata ganhou mais tempo para reunir argumentos contra John Bolton.
- A nomeação está a perigo - afirmou o cientista político Ross Baker, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey. - O adiamento dá mais chance para qualquer um que queira dizer qualquer coisa sobre Bolton.
O temor da Casa Branca é o de que se repita o que ocorreu com o senador John Tower, indicado em 1989, por George Bush (pai) para a secretaria de Defesa. A nomeação foi a primeira deste tipo, na história americana, a ser negada.
Pairam sobre John Bolton acusações de conduta imprópria com subordinados, incluindo um caso de assédio sexual a uma funcionária com o intuito de manipular documentos secretos.
Nas declarações de ontem, o presidente Bush descreveu Bolton como ''um homem bom para representar os EUA nas Nações Unidas''.
- A notável carreira de John e seu serviço ao nosso país demonstram que ele é o homem certo na hora certa para essa importante missão. Apelo ao Senado que deixe de lado a política e confirme Bolton para as Nações Unidas - afirmou.
O momento-chave do debate se deu quando o senador George Voinovich pediu a palavra, na terça-feira, para se opor à votação, o que em seguida recebeu o apoio de outros dois senadores republicanos (Lincoln Chafee, de Rhode Island, e Chuck Hagel, do Nebrasca), bem como dos representantes democratas.
Segundo o analista Michael O'Hanlon, do Instituto Brookings, Voinovich é um ''republicano moderado clássico'', dos quais ''sobraram poucos no Senado''. Ao mesmo tempo, afirma O'Hanlon, a Casa Branca precisa dele.
- A nomeação de Bolton não está garantida - disse o analista do Brookings.
A estratégia do governo Bush é desviar o debate do caráter do nomeado para a sua ''competência intelectual''.
Temas como a reforma das Nações Unidas, dizem os republicanos, necessitarão de alguém com ''força intelectual'' e ''postura agressiva'', qualidades de Bolton ''não questionadas no processo''.
- A reforma da ONU é um objetivo de peso da atual política externa americana - afirmou o presidente da Comissão de Relações Exteriores, o senador Richard Lugar, de Indiana. - No entanto, seria bom que o reformista fosse aplaudido por suas condutas, o que não parece ser o caso - completou.