Título: Greenspan alerta sobre risco para a economia dos EUA
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/04/2005, Economia & Negócios, p. A20

Presidente do Fed diz que desequilíbrio nas contas pode estagnar atividade produtiva

WASHINGTON - O déficit orçamentário dos Estados Unidos representa uma ameaça à saúde econômica do país no longo prazo, disse ontem o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Alan Greenspan. Em testemunho diante do Comitê Orçamentário do Senado, Greenspan fez um novo apelo para que as contas do país sejam colocadas em ordem. Em uma breve menção ao atual estado da economia, ele reproduziu um comentário já feito em outras ocasiões neste ano: - A atividade (econômica dos EUA) parece estar se expandindo a um ritmo razoável.

Ao tratar do déficit fiscal, no entanto, Greenspan disse que a persistência do desequilíbrio nas contas do país pode levar à estagnação econômica ou pior, a menos que a situação seja revertida.

- O orçamento federal caminha em um ritmo insustentável, no qual grandes déficits resultarão na elevação das taxas de juros e em pagamentos ainda maiores de juros, que aumentarão o déficit no futuro - disse.

A situação do déficit federal fica ainda mais séria se considerados as quase 80 milhões de pessoas da geração dos baby boomers (a geração de norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964), prestes a se aposentar em 2008. Em 2004, o déficit federal chegou a US$ 412 bilhões e, para este ano, a projeção é de US$ 427 bilhões.

Déficits muito altos são um perigo para a economia porque puxam para cima os juros de um país tanto para consumidores como para empresas. Juros altos tendem a diminuir o consumo e os novos investimentos, dois dos principais motores da economia.

Greenspan apoiou o programa de privatização parcial de aposentadorias do governo Bush, que propõe que o contribuinte tenha contas pessoais pelas quais possa comprar títulos do Tesouro, de modo a financiar parte das aposentadorias. Advertiu, contudo, que esse projeto deve ser implantado cautelosamente, pelo risco de que uma emissão exagerada possa provocar alta de juros.

Com agências