Título: Fusão bilionária no setor de bebidas
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/04/2005, Economia & Negócios, p. A21
Terceira fabricante mundial, francesa Pernod se une à britânica Allied Domecq, vice-líder, em negócio de US$ 14 bilhões
PARIS - Na maior operação de fusão da indústria de bebidas alcoólicas, a francesa Pernod Ricard e a Fortune Brands anunciaram terem feito uma bem-sucedida oferta pública para a aquisição da rival britânica Allied Domecq, por um valor total de cerca de US$ 14 bilhões.
A operação foi autorizada por unanimidade pelo conselho de administração da Allied Domecq. O grupo britânico foi criado em 1994, após a fusão da Allied-Lyons com o espanhol Pedro Domecq.
A fusão da Allied Domecq, terceira do ranking mundial na fabricação de bebidas, com a Pernod Ricard, vice-líder do mercado, dará às companhias maior condição de enfrentar a concorrência da britânica Diageo, líder mundial do setor e detentetora de marcas como a vodka Smirnoff, a cerveja Guinness e o uísque Johnnie Walker.
Com a fusão, a nova carteira do grupo inclui 20 das 100 marcas de bebidas mais vendidas no mundo. A Pernod Ricard detém marcas como os uísques Chivas Regall e Jameson, além dos conhaques Martell e Renault. Após o processo, se unirá a nomes como Havana Club e Ballantines, a vodka Stolichnaya, e vinhos prestigiados como o espanhol Campo Viejo e o champagne Mumm, além de assumir marcas locais como o brandy Presidente, líder do mercado mexicano.
A Pernod Ricard deve ficar com a maior parte dos negócios da Allied, mas repassará um terço dos ativos da companhia inglesa para a Fortune Brands. Nesta operação, estão incluídas as redes de distribuição e as principais marcas locais da Espanha (DYC, Centenário, Castellana, Fundador), do Reino Unido (Harvey's e Cockburn) e da Alemanha (Kuemmerling y Jacobi).
A Fortune Brands também passa a deter marcas como Canadian Club, Courvoisier, Maker's Mark, Sauza e Laphroaig, além de vinhos californianos como Clos du Bois.
- É uma nova etapa decisiva e um verdadeiro salto estratégico - disse Patrick Ricard, presidente do grupo francês, destacando que, com a fusão, a empresa passa ser a número um do mercado em todo o mundo, exceto nos Estados Unidos. Ele explicou que a fusão é reflexo de uma ''evolução estratégica natural'' da companhia depois da aquisição, em 2001, da canadense Seagram. A operação reforçará a presença da Pernod Ricard em mercados como Estados Unidos, Reino Unido, México, Canadá, Coréia do Sul, e Espanha.
Para financiar parte da operação, a Pernod Ricard contará com um empréstimo bancário de cerca de 9 bilhões de euros (aproximadamente US$ 11,7 bilhões).
A operação ainda está sujeita à autorização dos órgãos de controle de concorrência da União Européia, dos Estados Unidos, do Canadá e do México. Patrick Ricard se mostrou confiante de que não haverá problemas.
O presidente do grupo admitiu que haverá redução de pessoal, mas não soube precisar o número por não dispor das relações de funcionários de cada país.
A Pernod Ricard tem 12 mil empregados, mil a menos do que a Allied Domecq, e registrou vendas de US$ 4,8 bilhões em 2004, contra US$ 5,8 bilhões da Allied.
Com agências internacionais