Título: Dívida cresce R$ 28 bilhões
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 21/04/2005, Economia & Negócios, p. A19

Desde o início da alta da Selic, conta subiu R$ 102 bi

A dívida pública em títulos federais saltou de R$ 845,39 bilhões em fevereiro para R$ 873,61 bilhões em março, uma alta de 3,3%. Nos primeiros três meses do ano, a dívida aumentou R$ 46,91 bilhões. Considerando o período entre setembro e março - no qual a taxa básica (Selic) subiu de 16% para 19,25% ao ano -, a ampliação foi de R$ 102,31 bilhões. A expansão está associada aos juros. Com a elevação de 0,25 ponto percentual, ontem, a dívida deverá sofrer acréscimo de R$ 1,24 bilhão - mantida a taxa por um período de 12 meses. O estoque dos títulos federais com rentabilidade vinculada à Selic passou de R$ 408,8 bilhões em setembro de 2004 (53% do total) para R$ 497,81 bilhões no último mês (56,9% do total), expansão de R$ 89,01 bilhões, em grande parte explicada pelo aumento dos juros.

Na parcela da dívida cambial, o movimento foi inverso. O estoque dos títulos federais corrigidos pelo câmbio decresceu R$ 95,03 bilhões em setembro de 2004 e de R$ 50,9 bilhões em fevereiro último para R$ 43,12 bilhões em março, o correspondente a 4,94% do total, o menor percentual da série para a dívida cambial.

- A exposição cambial relativa à dívida interna deixou de ser relevante - observou o coordenador de Operações da Dívida, Rui Gonzaga Tavares.

A redução de R$ 7,8 bilhões ocorrida em março deveu-se em parte à contratação de R$ 9,3 bilhões em duas operações de swap reverso (mecanismo de redução da exposição cambial). Desde 13 de março, o BC não realiza operações de swap reverso por considerar que não há condições satisfatórias.

Um dos efeitos do enxugamento dos títulos cambiais é a maior segurança na administração da dívida em cenários de volatilidade ou choques externos com repercussão na economia brasileira. De janeiro a março, o governo resgatou US$ 14,7 bilhões em papéis vinculados à variação do dólar.

Segundo nota divulgada pelo BC e pelo Tesouro Nacional, em março as emissões líquidas de títulos federais somaram R$ 14,5 bilhões. A dívida de curto prazo a vencer em 12 meses totalizou R$ 375,4 bilhões, 42,97% do total. No mercado secundário de títulos federais, o volume médio diário alcançou R$ 14,4 bilhões, as transações com títulos prefixados aumentaram 19% na comparação com fevereiro e registraram negociações médias diárias de R$ 8,3 bilhões. Só em abril, os vencimentos de títulos prefixados somam R$ 43,8 bilhões.

A América Latina, que registrou no ano passado a maior taxa de crescimento dos últimos 25 anos, precisa agir para reduzir sua dívida pública, para atrair investimentos, alertou, em Nova York, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato.

- Não é hora de ser complacente - avisou.

Com agências internacionais