O Estado de S. Paulo, n. 46575, 24/04/2021. Metrópole, p. A22

SP tem a 1ª queda em mortes em dois meses

Mariana Hallal


O governo de São Paulo informou ontem que o número de mortes pela covid-19 no Estado caiu 23,6% em relação à semana anterior. É a primeira vez que a taxa é reduzida em oito semanas, simultaneamente a outros dois índices: o total de novos casos, que diminuiu 14,3% no período, e o de internados, 6% menor.

A queda ocorre após a adoção de políticas de isolamento social (as fases vermelha, emergencial e de transição, adotadas a partir do dia 25 de março), quando a gestão João Doria (PSDB) fechou o comércio, igrejas e escolas para evitar o colapso do sistema de saúde.

A média diária de mortes, segundo o governo, é de 621 na atual semana epidemiológica. Na semana anterior, o Estado havia atingido o recorde de 813 mortes por dia. O patamar atual de óbitos pelo novo coronavírus é mais baixo do que o registrado nas últimas três semanas, mas é superior ao que era registrado até o fim de março.

Por isso, especialistas se preocupam que as flexibilizações se reflitam em nova alta de contágio e pressão sobre os hospitais. O governo estadual já liberou escolas, igrejas, lojas e shoppings. A partir deste sábado, reabrem restaurantes, academias, salões de beleza, parques, teatros e cinemas. Já o ritmo da vacinação no Brasil ainda continua aquém da capacidade da rede pública.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI na Grande São Paulo está em 79,2%. No Estado, o índice é de 81,1%. “Já vínhamos apresentando queda de internações há quatro semanas. É a primeira vez nesse período que temos queda nos óbitos. Esses dados nos trazem alento e esperança”, disse o secretário de Saúde Jean Gorinchteyn.

A média de casos já vinha apresentando queda há duas semanas e, dessa vez, passou de 14.921 para 12.784 infectados. Apesar da diminuição, o número também é mais alto do que no início de março.

Butanvac. O Estado também informou sobre o andamento da Butanvac, vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com um consórcio internacional.

Na manhã desta sexta-feira o instituto solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para início dos testes em humanos. Em março, o Butantan já havia mandado um dossiê com o desenvolvimento clínico do imunizante. “Será a primeira vacina fabricada integralmente no Brasil, sem a necessidade de importação de matéria-prima”, lembrou o vice-governador, Rodrigo Garcia.

Dimas Covas, diretor do Butantan, disse que a autorização solicitada é para os estudos de fase 1 e 2. Neles os pesquisadores pretendem comparar a nova vacina com as outras já existentes para testar sua eficiência. A fase inicial vai testar a segurança da vacina, ou seja, os possíveis efeitos adversos relacionados a ela. A segunda etapa vai verificar a imunogenicidade, ou seja, a resposta imunológica.

A fase de estudos está prevista para durar 20 semanas. A partir da 16.ª semana, em setembro, os primeiros resultados dos testes devem ser divulgados e o instituto vai poder pedir o uso emergencial do imunizante, projetou Covas. Segundo ele, quando a Anvisa aprovar o início do estudo, o Estado vai anunciar locais e como as pessoas poderão participar.