Título: Consumidores são os maiores prejudicados
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/04/2005, País, p. A3
O pronunciamento do presidente Lula foi mal recebido na área financeira, mas as críticas mais contundentes partiram de economistas das instituições que defendem o consumidor. Para Leo Dalla Stella, da Associação de Proteção e Defesa do Crédito do Consumidor (Prodeccon), a afirmação mostra que Lula pouco entende de economia:
- Infelizmente não está bem assessorado. Em geral, o consumidor não tem a mínima idéia do que é a taxa de juros do Banco Central. Ele faz a compra e escolhe a forma mais conveniente de pagar.
Para o economista Leo Sztutman, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apesar de existirem diferenças entre os bancos, as taxas são sempre altas:
- Vemos uma situação decepcionante, pois ao longo dos anos houve a estabilização, mas o dinheiro ainda é muito caro. Existem diferenças entre os bancos, mas as taxas de juros estão absurdamente altas e poderiam ser bem menores - conclui Sztutman.
O presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi), José Arthur Assunção, também discorda da avaliação do presidente. Para ele, o consumidor não leva em conta apenas a taxa de juros na hora de recorrer a instituições de crédito.
- Existem outros elementos como facilidade, localização, atendimento e tempo de parcelamento, por exemplo, que também são levadas em consideração.
O executivo rechaça a afirmação de que o sistema financeiro seja concentrado.
- Temos bancos de grande porte, médio e pequeno, além de financeiras independentes - afirmou.
Já para o consultor do Programa de Varejo da USP (Provar) Fernando Postch, o principal problema do brasileiro não é o comodismo, mas a falta de informação.
- Ele não sabe qual instrumento de crédito usar. Não sabe se usa cheque especial, empréstimo ou crediário. Falta conhecimento das possibilidades. Normalmente, o consumidor se limita a avaliar seu limite de endividamento - avalia o consultor.