Correio Braziliense, n. 21440, 28/11/2021. Brasil, p. 7
Mais países na mira da Anvisa
Fernande Strickland
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu mais países à lista de recomendações de medidas restritivas em decorrência da nova variante do SARS-CoV-2, identificada como B.1.1.529 e nomeada pela OMS como ômicron. A recomendação ao governo brasileiro refere-se à entrada de viajantes no país e restrições de voos.
Segundo nota técnica divulgada pela agência, foram adicionados temporariamente Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia. Viajantes e voos procedentes desses países não poderão entrar em território brasileiro.
A adoção das medidas depende de portaria interministerial editada conjuntamente pela Casa Civil, pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério da Infraestrutura e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na última sexta-feira (26/11), a Agência já havia recomendado medidas restritivas temporárias para os voos e viajantes procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue, em decorrência a nova variante do SARS-CoV-2. Essa orientação foi atendida pelo governo federal.
A Anvisa também havia orientado os brasileiros para que evitem viagens não essenciais especialmente para esses países e indicou que as medidas sugeridas possuem caráter temporário, que devem ser revistas diante da evolução do cenário epidemiológico mundial.
Ação interministerial
O alerta da Anvisa ocorre um dia depois de o governo federal impor medidas preventivas para evitar a chegada da variante ômicron. Em uma rede social, o ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, anunciou que o Brasil fecharia as fronteiras aéreas para seis países da África em virtude da nova cepa. “Vamos resguardar os brasileiros nessa nova fase da pandemia naquele país. A portaria será publicada amanhã e deverá vigorar a partir de segunda-feira”, afirmou o ministro.
Segundo Nogueira, a decisão foi tomada em reunião conjunta da Casa Civil, do Ministério da Infraestrutura, do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça.
Antes da proibição, o Ministério da Saúde havia emitido uma comunicação de risco sobre a variante ômicron, identificada primeiramente na última terça (23) na África do Sul. Essa variante é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como variante de preocupação, já que contém mais de 30 mutações na proteína Spike, que é a principal proteína do SARS-CoV-2.
O objetivo do alerta, segundo o documento de risco, é “apoiar na divulgação rápida e eficaz de conhecimentos às populações, parceiros e partes intervenientes possibilitando o acesso às informações fidedignas que possam apoiar nos diálogos para tomada de medidas de proteção e controle em situações de emergência em saúde pública”.
O Brasil registrou, em 24 horas, 229 novas mortes em decorrência de covid-19, segundo boletim divulgado ontem à noite pelo Ministério da Saúde. Com isso, o país chegou a 614.186 mortes durante a pandemia.
O levantamento mostra que 9.233 novos casos da doença foram registrados no sistema de monitoramento da doença. No total, o país registrou até o momento 22.076.863 casos de infecção pelo novo coronavírus. O informativo também traz os dados sobre óbitos em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que somam 119 casos e estão sob investigação de órgãos de saúde.
No topo do ranking de mortes por estado estão: São Paulo (153.993), Rio de Janeiro (69.011), Minas Gerais (56.143), Paraná (40.771) e Rio Grande do Sul (36.075). Os estados que menos registraram mortes por covid-19 foram o Acre (1.846), o Amapá (2.002) e Roraima (2.050).
O painel de vacinação do Ministério da Saúde estava fora do ar no momento da apuração dos dados, e a última atualização que consta no vacinômetro do site do ministério registrava, até o dia 25 de novembro, 364.177.468 doses de vacinas distribuídas, com 306.982.366 doses aplicadas — número que compreende a primeira dose, a segunda dose e aplicações únicas. (Com Agência Brasil)