Título: Petrobras descarta aumento de gasolina
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 27/04/2005, Economia & Negócios, p. A19

Empresa anuncia que pedirá ao governo argentino imposto menor para explorar petróleo em alto mar

Apesar das altas cotações internacionais do petróleo, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, descartou ontem um novo reajuste dos preços da gasolina no Brasil.

- Não estamos analisando aumento de preços neste momento - disse Dutra, após participar do 3º Fórum de Estatais de Petróleo.

O executivo justificou que a decisão de não acompanhar o movimento internacional de preços deve-se à volatilidade das cotações, que nos últimos dias encontram-se em alta, após manterem-se em queda na última semana.

Segundo Dutra, a conclusão a que chegaram os participantes do evento é que o petróleo deverá permanecer em alta ''ainda por um bom tempo'', em função de fatores como alta da demanda de países como China e especulações no mercado futuro da commodity.

O Fórum Estatal de Petróleo reuniu por dois dias, no Rio de Janeiro, executivos das principais operadoras estatais de petróleo, como PDVSA, da Venezuela, Statoil, da Noruega, e a China National Petroleum Corporation (CNPC).

O presidente da Petrobras comentou, no evento, que os planos da empresa de explorar petróleo na Costa da Argentina dependem da adoção de uma política diferenciada de tributação pelo governo de Néstor Kirchner. Ele revelou ontem que solicitou ao mandatário argentino a modificação do sistema de impostos que incide sobre a produção de hidrocarbonetos daquele país. Segundo Dutra, a atividade exploratória offshore, que é tradicionalmente mais dispendiosa do que em terra, torna-se muito pouco atrativa devido à atual estrutura de impostos local, que tributa a atividade independentemente da área onde ocorre.

Dutra informou, ainda, que a Petrobras não discutirá novas parcerias para o campo gigante de Mexilhão - o antigo BS-500 na Bacia de Santos - enquanto não concluir as negociações ora em curso com a hispano-argentina Repsol-YPF para dividir as operações do campo. O presidente da Petrobras ressalvou, porém, que a prioridade à Repsol não garante nenhuma exclusividade à empresa na exploração do campo com a Petrobras. Além das britânicas Shell e BP, a Petrobras também foi procurada por outras candidatas a parceiras como a norueguesa Statoil.

Envolta em uma acirrada discussão interna entre nacionalistas e pragmáticos, as parcerias da Petrobras na área de Exploração e Produção são defendidas pela ala da diretoria que prevê a necessidade de dividir riscos e investimentos no setor. A parcela mais nacionalista da empresa argumenta, no entanto, que a companhia não só dispõe de recursos para implementar tais investimentos, como também dos créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).