Título: A volta do debate sobre o voto nulo
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/04/2005, País / Informe JB, p. A4
Parlamentares descontentes com os rumos do governo temem que, em 2006, seja orquestrada uma imensa campanha pelo voto nulo em todo o país. A análise destes congressistas apóia-se, inclusive, nos últimos números divulgados em pesquisas de opinião pública. A queda de seis pontos percentuais na aprovação pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, detectada pela pesquisa CNT/Sensus da última terça-feira, seria um sinal de que o presidente estaria perdendo o seu charme junto à classe média, no embalo da campanha contra a chamada MP dos Impostos. Restaria então aos eleitores insatisfeitos votar em um candidato tucano ou pefelista para suceder Lula. Ocorre que a vitória do petista em 2002 veio sob o mote: ''queremos mudança''. Depois de oito anos no poder, tucanos e pefelistas ainda têm sua imagem desgastada perante a opinião pública. Deputados e senadores com experiência eleitoral entendem que um governo, ao encerrar um mandato tão longo, precisa de pelo menos seis a oito anos para se tornar outra vez atraente perante o eleitorado. O cheiro dos aliados de Fernando Henrique Cardoso ainda estaria nos corredores do Planalto. Por esta linha de raciocínio, mesmo o descontentamento com Lula não seria capaz de levar muitos eleitores a optar pela atual oposição, o que tenderia a desembocar no voto nulo. Ruim para a democracia.