Título: Bancos voltam a funcionar hoje
Autor: Helena Mader
Fonte: Jornal do Brasil, 15/10/2004, Brasília, p. D-8
Greve de 30 dias é suspensa para aguardar julgamento
Depois de 30 dias de paralisação, os bancários decidiram ontem, em assembléia, suspender a greve e voltar ao trabalho. Os bancos reabrem hoje após a mais longa paralisação da categoria. Os bancários decidiram pela suspensão do movimento até a próxima quinta-feira, quando o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai julgar o dissídio coletivo dos empregados do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. A decisão dos bancários de Brasília segue a orientação da Executiva Nacional da categoria, que recomendou a suspensão temporária da greve. Os bancários de São Paulo tomaram ontem a mesma decisão e as agências paulistas reabrem hoje. O presidente do TST, ministro Vantuil Abdala, também pediu que os bancários voltassem ao trabalho antes do julgamento do dissídio.
O Sindicato dos Bancários de Brasília promete uma nova assembléia no dia 20 e planeja um dia de mobilização e vigília em frente ao TST, na quinta-feira, quando os ministros julgam a greve. O presidente do Sindicato dos Bancários, Jacy Afonso de Melo, esclarece que a suspensão do movimento não significa o fim da paralisação.
- Vamos voltar ao trabalho e aguardar o dissídio coletivo para demonstrar aos banqueiros nossa disposição em negociar. A categoria espera que a Federação Nacional dos Bancos sinalize com um acordo até a semana que vem - explica Jacy.
Os bancários reivindicam reajuste salarial de 25% e ampliação no horário de atendimento das agências. Atualmente os bancos abrem de 11h às 16h. Os bancários querem que o horário de funcionamento seja de 9h às 17h. A Fenaban ofereceu reajuste de 8,5% e os bancários reduziram a pedida para 19%. Sem acordo, a greve continuou.
A partir de hoje, as 57 agências da Caixa Econômica Federal e 75 do Banco do Brasil no DF voltam a abrir as portas. O Sindicato dos Bancários não tem estimativa de quando o atendimento à população será normalizado.
- A categoria mostrou força e vai arrancar dos banqueiros todas as reivindicações. Estes 30 dias de luta não foram em vão. Precisamos agora negociar o desconto dos dias parados - garante Jacy Afonso de Melo.