Título: Oposição ironiza: Lula deveria ter reconhecido cem erros
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/04/2005, País, p. A4
Governistas destacam ''firmeza'' e determinação de Lula ao responder às perguntas
Lideranças da oposição afirmaram ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter feito um mea-culpa mais extenso do que admitir ter cometido três erros até agora em seu governo. - Deveria ter reconhecido uns cem erros, os três que ele admitiu não são erros, são puramente incompetência - afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).
Para Goldman, Lula não deu respostas - fez discursos.
- O presidente fez 14 longos discursos, sem permitir a réplica dos jornalistas. Teria sido mais produtivo se ele tivesse dado respostas curtas e permitido aos jornalistas comentá-las - declarou o tucano.
O deputado federal Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL, afirmou que Lula ''tinha muito mais coisa para reconhecer''.
- O presidente deveria admitir que pioraram muito as expectativas da população com relação à violência, à saúde, ao desemprego.
Na avaliação do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ''foi entrevista marqueteira, com Duda Mendonça comandando os ensaios e a apresentação''. Para ele, Lula foi modesto ao admitir seus principais erros e deveria ter citado fracassos no Fome Zero e na reforma agrária, entre outras ''centenas de erros''. Virgílio também afirmou que os comentários de Lula sobre a taxa de juros preocupam.
- O presidente acha que erra ao controlar a inflação só com juro. Essa declaração, somada à saída de Marcos Lisboa do Ministério da Fazenda, acende uma luz de alerta. Marcos Lisboa era o cérebro da política econômica. Será que o Palocci perdeu terreno e se pensa em mudanças?
Para o líder do PFL, o fato de Lula ter se declarado ''unha e carne'' com Palocci, em relação à política econômica, mostra que o presidente não quer ''mexer o traseiro'' e baixar os juros.
Os governistas, entretanto, elogiaram a ''firmeza'' e a forma ''determinada'' como Lula teria respondido aos questionamentos. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu a forma e o conteúdo da entrevista.
- O presidente falou de maneira tranqüila e determinada e deu informações a toda sociedade. As perguntas foram instigantes e, quando algum jornalista reproduziu críticas na pergunta, ele respondeu bem.
O senador e ex-presidente da República, José Sarney, elogiou a iniciativa da entrevista e a ''firmeza'' de Lula. Sobre os ''erros'' de governo, comentou:
- O problema é que a gente só sabe dos erros depois que deixa a Presidência. Mas não há nada de mal no presidente errar porque errar é humano.
O mercado financeiro recebeu com tranqüilidade as declarações de Lula.
- O discurso do presidente não trouxe nada de novo nem causou impacto nos mercados financeiros - diz Hideaki Iha, da corretora Souza Barros.