O Estado de S. Paulo, n. 46615, 03/06/2021. Política, p. A12

Novos atos de rua antigoverno são marcados para dia 19



Os movimentos sociais e centrais sindicais que organizaram protestos no sábado passado marcaram uma nova manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro para o dia 19 de junho. O ato deve novamente pedir o impeachment do presidente, o retorno do auxílio emergencial enquanto durar a pandemia e a vacinação em massa da população contra o coronavírus. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em mais de 200 cidades do Brasil e no exterior. Mesmo usando máscaras e buscando seguir recomendações de distanciamento social, houve aglomeração entre manifestantes.

“O objetivo de convocar essa nova mobilização é criar um ambiente para o impeachment do Bolsonaro”, disse o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Guilherme Boulos (PSOL), candidato derrotado à Presidência em 2018 e a prefeito de São Paulo em 2020. “As manifestações do último sábado já mudaram o clima político e novas manifestações expressam a definição dos movimentos sociais de não esperar até 2022 passivamente com o País no caos e na tragédia.”

A definição pela data três semanas após o ato de sábado se deu para permitir aos organizadores angariar mais participantes. Boulos disse contar com uma “participação expressiva” da população, a exemplo do que ocorreu na semana passada. A organização inclui centrais sindicais, partidos como o PSOL e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Ao comentar a eventual aglomeração de pessoas nas ruas diante de uma possível terceira onda de covid-19, que já começa a tomar forma no País, segundo alguns especialistas, Boulos afirmou que “com os protocolos que nós adotamos, foi possível fazer as manifestações”. “A gente espera que seja nesse cenário para o dia 19.”

Os protestos ocorreram de forma pacífica, à exceção do Recife (PE), onde a repressão praticada pela Polícia Militar resultou em duas pessoas com ferimentos graves nos olhos. Anteontem, o governador do Estado, Paulo Câmara (PSB), exonerou o comandante da PM pernambucana, depois de ter afastado o comandante da tropa que atacou manifestantes com bombas e balas de borracha.