Título: Ministro discute com Bornhausen
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Fonte: Jornal do Brasil, 29/04/2005, Rio, p. A15
O ministro da Saúde, Humberto Costa, está sob o ataque do PFL. O partido do prefeito Cesar Maia tenta reverter o prejuízo político à imagem da pré-candidatura pefelista à presidência da República. Humberto Costa, por sua vez, tenta jogar a responsabilidade pela intervenção federal em seis hospitais do Rio - suspensa em parte por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) - para a suposta ineficiência administrativa da prefeitura da cidade. No jogo de troca de responsabilidades, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, aproveitou a audiência pública com a participação do ministro na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado para desferir críticas à decisão do ministério de intervir no Rio.
- Ministro, saúde é coisa séria. Não é para fazer política, para ser candidato ao governo de Pernambuco - afirmou, referindo-se à possível candidatura de Costa em 2006.
O ministro Humberto Costa respondeu.
- A saúde não deve ser usada para fazer política, mas foi isso [uso político]que foi feito por parte da Prefeitura do Rio - disse ele.
Humberto Costa continuou rebatendo as críticas e lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal pune prefeitos e governadores que, por exemplo, gastarem mais do que o permitido com salários, mas não define penalidades para quem gerir de forma ineficiente o sistema de saúde.
- E ele [Cesar Maia]ainda quer fazer discurso de grande gestor neste país - afirmou em tom elevado e dando um soco na mesa da comissão.
Na réplica, Bornhausen voltou a atacar o ministro e lembrou o escândalo do esquema de superfaturamento na compra de hemoderivados pelo Ministério da Saúde, esquema que perdurava desde o governo anterior e foi desmontado em 2004 por uma operação da Polícia Federal.
- O senhor é o ministro dos vampiros, que deixa faltar remédio para Aids. Não venha falar de eficiência administrativa. O senhor tem que respeitar os senadores - afirmou o presidente do PFL.
- O que existe no Ministério da Saúde é incompetência, ineficiência e incapacidade. Essa intervenção [no Rio]foi feita para o ministro ficar no cargo e conseguiu. A única coisa que conseguiu foi se dependurar no cargo de ministro - completou Bornhausen.
Logo que retomou a palavra, Humberto Costa manteve o nível dos ataques.
- Eu não estou aqui para ser desrespeitado. Da mesma forma que todos os senadores são autoridades eu também sou. Em nenhum momento fiz agressão pessoal a quem quer que seja, diferentemente de quem me chamou de ministro dos vampiros. Eu fui o ministro que desbaratou esse esquema - disse o ministro.
Na quarta-feira, o presidente do PFL havia adiantado que o partido tentará, judicialmente, reverter os prejuízos políticos para a imagem do prefeito Cesar Maia.
Para isso, pedirá que a Justiça garanta ao prefeito do Rio um horário em cadeia de rádio e TV para responder à intervenção federal, considerada inconstitucional pelo STF no caso dos dois hospitais municipais envolvidos - Souza Aguiar e Miguel Couto. Os advogados do PFL argumentam que o tempo seria igual ao destinado ao ministro da Saúde um dia após a intervenção no Rio.
Com Folhapress