Título: Presa quadrilha na Receita do DF
Autor: Guilherme Queiroz
Fonte: Jornal do Brasil, 29/04/2005, Brasília, p. D1
Esquema que desviou R$ 50 milhões só nos últimos seis meses incluía 13 auditores e fiscais tributários da Fazenda
Uma denúncia, seguida por investigação que envolveu 17 delegados da Polícia Civil e o fim de um esquema que, apenas nos últimos seis meses, pode ter lesado em R$ 50 milhões os cofres do DF. Ao todo, 13 pessoas - entre elas auditores e fiscais tributários da Secretaria de Fazenda - foram presas, ontem, acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em extorsão e crimes contra a ordem tributária. Cerca de 80 empresários brasilienses também foram indiciados por envolvimento nas fraudes. A quadrilha seria liderada por dois auditores : Sônia Maria Andrade dos Santos, 47 anos, e Sami Kuperchmit, 53. Outros quatro acusados também pertencem à Secretaria de Fazenda. Entre eles o corregedor-substituto de Fazenda, Geraldo Eudóxio Cândido de Lima, e o presidente do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, Jaime Pereira Sardinha. O restante do bando é formado por contadores, advogados e empresários (veja quadro).
Os integrantes começaram a ser presos a partir das 6h de ontem, quando 141 agentes da Divisão de Operações Especiais (DOE) da Polícia Civil foram às ruas pela Operação Tentáculo. Os policiais também fizeram uma devassa em dez escritórios de contabilidade suspeitos de participarem do esquema. Foram apreendidos carros, farta documentação, seis automóveis, computadores e US$ 60 mil dólares em espécie.
- Vários bens dos acusados foram seqüestrados. Os computadores serão periciados para encontrar mais provas das fraudes - conta o diretor-geral da Polícia Civil, Laerte Bessa.
Os policiais encontraram nove armas de fogo com os detidos. Geraldo Eudóxio tinha seis armas, entre elas duas espingardas calibre 22 e duas escopetas - uma delas com cano serrado, o que é proibido até para a polícia. Também guardava em casa US$ 25.800 em dinheiro. Com Jaime Pereira Sardinha, foram R$ 25.950 em espécie. Sami tinha US$ 3.026. Sônia, US$ 21.739, em sua mansão na QI 23 do Lago Sul.
Segundo o coordenador da operação e diretor do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil, delegado Celso Ferro, as investigações levaram a instauração de outros 23 inquéritos para apurar a participação de 80 empresários - sócios de cerca de 30 empresas - nas fraudes praticadas pela quadrilha. Ele afirma que o nome dos suspeitos estão sendo mantidos em sigilo para não prejudicar as investigações. O inquérito deve ser concluído dentro de 30 dias.
- Todos os empresários já foram indiciados e ainda vamos investigar a participação de cada um no esquema - diz Ferro.
O Diário Oficial do DF deve publicar hoje o decreto determinando o afastamento dos quatro servidores. Segundo a corregedora-geral do GDF, Anadyr Rodrigues, os auditores serão punidos de acordo com o inquérito administrativo instaurado e com o processo penal instaurado na Justiça. Até que haja a condenação, entretanto, Sônia e Sami, manterão seus salários de R$ 12 mil.