Título: CPI confirma favorecimento
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 29/04/2005, Brasília, p. D3

UTI desativada leva pacientes para o Santa Juliana

Diretores de hospitais da rede pública confirmaram ontem, durante depoimentos prestados à CPI da Saúde na Câmara Legislativa, as suspeitas de favorecimento ao Hospital Santa Juliana por parte da Secretaria de Saúde, na locação de leitos de UTI. A desconfiança era tamanha que, de acordo com o diretor do Hospital Regional do Gama, Carlos Henrique da Silva, ele teria alertado o ex-secretário Arnaldo Bernardino sobre os ''comentários'' entre os funcionários do órgão de interesses particulares na preferência pelo Santa Juliana. A resposta de Bernardino, segundo Carlos, foi uma ''reação emotiva''. O diretor revelou ainda que enviou um ofício a seus superiores no dia 24 de agosto do ano passado, pedindo a ampliação da UTI em sua unidade. Até hoje, porém, não obteve resposta.

Os parlamentares também estranharam o fato de 20 leitos de UTIs do Hospital de Samambaia terem sido desativados quando o centro, que era particular, foi comprado em 2003. O diretor Paulo Uchôa Ribeiro revelou que se descumpriu uma norma da Secretaria que prevê pesquisa nas redes pública e privada antes do encaminhamento de pacientes. Por conta da ''proximidade'' e da urgência, dava-se preferência ao Santa Juliana, quando não havia vaga na rede pública.

- Não havia condição de reativar a UTI, pois não havia médico intensivista disponível na secretaria - tentou justificar Uchôa, garantindo que informava a Secretaria sobre o descumprimento por meio de ofícios encaminhados junto com os processos de transferência. Mas esses documentos nunca foram respondidos.

Questionado sobre denúncias de que até mesmo roupas do Santa Juliana eram lavadas no Hospital de Samambaia, Uchôa afirmou desconhecê-las.

Para a relatora da comissão, deputada Arlete Sampaio (PT), no entanto, houve uma ''canibalização'' em Samambaia, possivelmente, para favorecer o hospital de propriedade de parentes e amigos de Bernardino.

- Além de fecharem leitos em Samambaia, há 15 leitos no Hospital do Paranoá que não funcionam e uma série de outros em más condições - avaliou a parlamentar.