Título: Tecnologia candanga na China
Autor: Melissa Medeiros
Fonte: Jornal do Brasil, 29/04/2005, Brasília, p. D3

Acordo deverá render US$ 100 milhões ao DF

A partir do próximo mês, a tecnologia digital brasileira utilizada pelos bancos e pelo governo chegará à China. Ontem, a empresa brasiliense de tecnologia da informação Politec fechou acordo de cooperação científica, tecnológica e de negócio com o governo da província chinesa Liaoning, considerada o Vale do Silício daquele país. Segundo o sócio-diretor da Politec, Hélio Santos de Oliveira, a expectativa é que o acordo traga, nos próximos três anos, cerca deUS $ 100 milhões para o DF.

- A China conheceu a tecnologia brasileira e percebeu que está bastante atrasada. Nós temos como ajudá-la a se atualizar e eles têm o dinheiro. Não queremos pensar em valor exato, mas acho que superará a expectativa - diz Hélio.

Técnicos da Politec embarcarão, no próximo mês, com o vice-presidente da República, José Alencar. Eles trabalharão em parceria com a maior empresa de tecnologia do local, Bureau de Ciência e Tecnologia de ShenYang. Os técnicos dos dois países terão, até 2007 - prazo fixado pelo acordo mundial Basiléia 2 para que as instituições financeiras operem com tecnologia de segurança - para implantar nos bancos chineses a mesma segurança e ferramentas tecnológicas em uso no Brasil. Bancos e órgãos governamentais chineses passarão a contar com sistemas, semelhantes aos brasileiros, que permitem transferências bancárias por meio eletrônico e acompanhamento das ações da máquina administrativa do Estado pela Internet.

O secretário de Trabalho do DF, Gim Argello, afirmou que o acordo deve trazer riquezas para Brasília e visibilidade mundial da tecnologia que está sendo produzida aqui. Gim prevê que o acordo atrairá mais empresas interessadas em importar conhecimento e tecnologia brasilienses.

- Nosso País é conhecido como vendedor mundial de grãos. Essa nova parceria com a China pode ser o começo para mudar essa imagem e tornar o DF grande exportador de capital de inteligência - afirmou o secretário.