Título: Verticalização mexe na eleição do DF
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 03/05/2005, Brasília, p. D3
Congresso começa a examinar mudança na fórmula de coligações, o que pode contrapor mais uma vez o PT ao PMDB local
O cenário político para as eleições de 2006 pode começar a se desenhar hoje. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados pretende votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 548/2002 que acaba com a verticalização eleitoral. A proposta, do ex-senador Bernardo Cabral (PFL-AM), reverte a interpretação de uma lei pelo Tribunal Superior Eleitora (TSE), que em 2002 definiu que as coligações estaduais e municipais deveriam seguir as alianças em âmbito nacional. O quadro ainda está indefinido mas a expectativa é de que no DF, caso mantida a verticalização, o maior prejudicado seja o PMDB, que já desenha uma aliança para com o PT para viabilizar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder do PMDB na Câmara Legislativa, deputado Odilon Aires, avalia que o partido ficaria impedido de se coligar com tradicionais e importantes aliados - como PFL e PSDB - e acabaria encurralado em uma chapa puro-sangue, dificultando os planos peemedebistas na sucessão ao governador Joaquim Roriz. Ainda assim, o distrital defende a verticalização.
- Os partidos devem ter uniformidade de discurso e seguir orientação nacional. Aliás, a reforma política deveria vir na frente das outras propostas pelo governo, como a previdenciária - afirma Odilon.
Munição --Roriz, que tem demonstrado interesse em uma projeção nacional, vem juntando munição e começa a soltar críticas ao governo Lula. Para o presidente do PSDB-DF, Geraldo Campos, caso Roriz mantenha-se ''fiel'' ao que vem declarando sobre a impossibilidade de aliança com o PT, o PSDB pode sair favorecido na corrida pelo Buriti, para a qual foi lançado o nome da vice-governadora Maria de Lourdes Abadia. Há quem imagine que o governador deixaria o PMDB e desembarcar no PSDB.
- Seríamos uma opção natural, e estamos de braços abertos - diz o presidente do PSDB-DF, Geraldo Campos, contrário à manutenção da decisão do TSE.
Para o senador Paulo Octávio, presidente regional do PFL, não se deveria pensar em verticalização antes de uma reforma política que resolva o inchaço partidário. A aproximação do PMDB com o PT, segundo ele, preocupa o PFL.
- Queremos o PMDB, mesmo que Roriz não permaneça no partido, pois sempre tivemos profundas relações. O governador é uma grande liderança - avaliou, ressaltando que a verticalização favorece ''coligações brancas''. Paulo Octávio mantém boas relações com o Palácio do Planalto. O PFL, no entanto, marca oposição ao Planalto e trabalha a campanha do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, a presidente.
Apesar de ter sido contrário à verticalização em 2002, o PT hoje é o maior defensor da regulamentação. Mas mesmo dentro do partido há quem divirja. O deputado federal Wasny de Roure (PT), defende um ''processo de transição'': primeiro no campo majoritário e, posteriormente, nas eleições proporcionais.
- No DF teremos eventuais problemas, com o PMDB por exemplo. O PT precisará de paciência para dialogar com os partidos antes de tomar decisões - diz Wasny.