Título: Famílias culpam Blair
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Fonte: Jornal do Brasil, 04/05/2005, Internacional, p. A14

Grupo quer processar premier por ter 'enganado cidadãos' sobre guerra no Iraque

LONDRES - Dois dias antes das eleições na Grã-Bretanha, que segundo as pesquisas devem transformar o primeiro-ministro Tony Blair no primeiro chefe de governo trabalhista eleito três vezes consecutivas, as famílias de soldados britânicos mortos no Iraque anunciaram que vão entrar com uma ação judicial contra o governo caso não seja anunciada uma investigação pública nos próximos 14 dias. Os parentes dos militares acusam o premier por ter enganado os cidadãos a respeito das razões pelas quais o país entrou na guerra.

O grupo Famílias de Militares contra a Guerra, do qual fazem parte 10 famílias, tinha previsto ontem entregar uma carta na Downing Street, a residência oficial do premier, descrevendo os argumentos do processo. Eles também estudam a possibilidade de processar pessoalmente o premier. No entanto, Blair já adiantou que não pretende abrir a investigação.

- Tivemos uma investigação atrás da outra, não precisamos voltar nisso toda hora - disse em entrevista à rede Channel 4.

A discussão sobre a integridade de Blair e sua decisão de apoiar os Estados Unidos na invasão do Iraque tem dominado as últimas duas semanas da campanha eleitoral.

Ann Toward, mulher de um soldado britânico morto segunda-feira no conflito, culpou diretamente o premier pela perda.

- Ele [Blair]enviou todas essas tropas. Não deveria ter feito isso - disse a viúva do soldado Anthony Wakefield, que tinha 24 anos e foi vítima de uma bomba colocada numa estrada. - Anthony poderia ainda estar aqui.

Mais cedo, Blair tinha enviado ''profundas condolências'' à família.

Wakefield, que deixou três filhos, foi o 87º soldado britânico a morrer no Iraque. O filho Scott, de sete anos, disse vai escrever uma carta ao pai dizendo estar orgulhoso por ele ter morrido como herói.

O líder conservador Michael Howard e o liberal-democrata Charles Kennedy manifestaram simpatia pela causa, mas não culparam o primeiro-ministro pelas mortes.