Título: Polícia prende amigo de Dorothy
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 05/05/2005, País, p. A6

A Polícia Civil de Anapu (PA) prendeu ontem o agricultor Luiz Moares de Brito e procura por outros cinco trabalhadores rurais, todos ligados à missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro. Eles são acusados de envolvimento na morte de Adalberto Xavier Leal, o Cabeludo. Segundo a Polícia Civil, os trabalhadores rurais teriam assassinado Leal, algumas horas depois da morte da missionária (em 12 de fevereiro), por vingança. Leal trabalhava no lote de Amair Feijoli da Cunha, o Tato, que confessou intermediar a morte da freira. A outra linha de investigação, aventada em apuração paralela da PF, é que a morte de Leal se tratava de ''queima de arquivo'', porque ele poderia apontar os assassinos da freira e os mandantes. Os mandados de prisão preventiva contra os seis foram expedidos pela Comarca de Pacajá.

O agricultor Luiz Moraes de Brito foi preso ontem em Anapu e levado para a delegacia de Altamira. Os demais ainda não foram localizados pela polícia, mas, segundo a Comissão Pastoral da Terra, estão no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, idealizado por Dorothy. A lista de agricultores cujas prisões foram decretadas inclui Geraldo Magela Filho, considerado braço direito da freira. Os demais procurados são José Rodrigues da Silva, o Zé Dentista, e outros três, citados como Felix Pereira, Cláudio e Raimundo, conhecido como Mundão.

Adalberto Xavier Leal trabalhava na gleba Bacajá, reivindicada pelo fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser um dos mandantes da morte da missionária. Foi morto a tiros de espingarda. À época do assassinato, o delegado de Anapu, Marcelo Ferreira de Souza Luz, afirmou que testemunhas apontaram Magela e Zé Dentista como autores do crime. A PF, entretanto, descartava essa hipótese porque a mulher de Leal teria pedido auxílio financeiro ao grupo ligado a Dorothy para enterrar o marido.