Título: Juízes ameçados no Espírito Santo
Autor: José Maria Batista
Fonte: Jornal do Brasil, 08/05/2005, País, p. A6

A violência no Espirito Santo chegou ao seu ponto máximo. Depois da suspeita de envolvimento de dois juízes em crimes de homicídio e tráfico de drogas, a população agora está ainda com mais medo. Pistoleiros estão ameaçando de morte, por meio de telefonemas e cartas anônimas, o presidente da Associação dos Magistrados do Espirito Santo (Amages), Pedro Vall Feu Rosa e toda a sua família. Até o seu pai, o desembargador aposentado Antônio José Miguel Feu Rosa, recebeu uma carta anônima com ameaças de morte. O governador do Espirito Santo, Paulo Hartung determinou ao secretário de Segurança do Estado, delegado federal Rodney Miranda, que reforce a segurança do magistrado Pedro Vall e de toda a sua família com policiais da Missão Especial Federal que estão combatendo o crime organizado no Estado. Hartung determinou também que o reforço policial seja extensivo a outros juizes que estão trabalhando na redução da violência. Segundo o governador, o desembargador não pediu reforço de segurança, mas tendo em vista as decisões e ações em que se envolveu foi mais sensato reforçar a sua segurança.

Para o presidente do Tribunal de Justiça capixaba, desembargador Adalto Dias Tristão, e o procurador-geral de Justiça do estado, José Paulo Calmon Nogueira da Gama, as prisões dos juízes são casos isolados e não refletem a realidade do judiciário do Espirito Santo. Adalton disse que todos os crime no Estado estão sendo investigado pela polícia e o Ministério Público.

Segundo o presidente da Associação de Magistrados do estado (Amages), desembargador Pedro Valls Feu Rosa, todas as prisões de juízes estão sendo apuradas de forma imparcial e transparente pela polícia e a própria justiça.

No dia 25 de novembro de 2004, o juiz Wladson do Couto Bittencourt foi preso numa boate na Cinelândia, no Centro do Rio, com seis comprimidos de ecstasy nos bolsos. Foi acusado de uso e tráfico de drogas. Afastado das funções pelo desembargador Pedro Vall Feus Rosa, presidente da Amages, garantiu que não é usuário de drogas e que vai provar a sua inocência.

O juiz Antônio Leopoldo Teixeira também foi preso, só que desta vez a acusação foi assassinato do colega Alexandre Martins de Castro Filho, executado com três tiros em Vila Velha, Vitória. Entre os motivos da execução estaria uma investigação iniciada por Martins para apurar denúncias de venda de sentenças.

O magistrado também integrava a força-tarefa incumbida de combater o crime organizado no Estado. Os dois executores do crime estão presos e condenados a mais de 20 anos de prisão, mas o inquérito que investiga os mandantes ainda está aberto.