Título: Imprudência mata mais um ciclista
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 09/05/2005, Brasília, p. D6

Jovem, atropelado por caminhão, foi 10ª vítima deste ano

Um comboio de cerca de 50 bicicletas acompanhou o caixão do ciclista Robert Lopes Soares na tarde de ontem, no Cemitério Campo da Esperança. Revoltados, ciclistas, familiares e amigos de Robert ainda tentavam entender a violência do acidente que matou o servidor público no sábado de manhã. Ciclista amador, Robert saiu de sua casa em Águas Claras para treinar, às 7h de sábado. Equipado com capacete e roupas especiais, deixou a mulher, Maria Goret, grávida de cinco meses, com a promessa de que voltaria às 10h para que fossem juntos comprar o berço do bebê. Robert não voltou. Em Taguatinga, no Pistão Sul, o motorista de caminhão Joaquim José dos Santos Filho decidiu, repentinamente, mudar de trajeto. Não viu Robert, que pedalava no acostamento, no sentido da via, como recomendam as normas de trânsito.

Com o impacto, o ciclista caiu da bicicleta e foi atingido mais uma vez pelo caminhão. Robert morreu na hora. Seu corpo ficou de tal forma deformado que o velório teve que ser feito com o caixão lacrado. Joaquim fugiu do local a pé, alegando medo de ser linchado e ainda não se apresentou a polícia. Segundo a 12ª DP, que investiga o caso, já havia um mandado de prisão para ser cumprido contra Joaquim, que está foragido. Além da bebê, que é esperada para setembro, Robert deixa um filho do primeiro casamento, Pedro, de 11 anos.

Indignada, a engenheira Keila Bento, amiga da família tentava apoiar a mulher de Robert.

- Ele era uma pessoa de bem com a vida, preocupada com a saúde. Eles planejaram a chegada desse filho e estavam muito felizes com a gravidez - afirma.

Durante o velório, os ciclistas da ONG Rodas da Paz entregaram uma carta manifesto, que será enviada ao Detran e a outros órgãos públicos hoje. A carta fala da indignação dos ciclistas diante da imprudência de motoristas.

- A população está amedrontada. Uma pessoa totalmente equipada, andando como manda a lei foi vítima da imprudência. Já morreu ciclista demais no DF, é absurdo - aponta Leandro Salim, presidente da Rodas da Paz.

Nos últimos 10 anos, 538 ciclistas morreram no DF. Só neste ano, foram 10 mortes.