Título: Cesar presta contas de campanha
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/10/2004, Brasil, p. A-4
Um dos principais alvos de críticas dos adversários ao prefeito reeleito do Rio, Cesar Maia (PFL), durante a campanha eleitoral, o secretário municipal de Saúde do pefelista foi um dos 10 significativos doadores de recursos para apoiar a candidatura de Cesar. Ronaldo Cezar Coelho doou R$ 100 mil em cheque, tornando-se, assim, o principal contribuinte da campanha como pessoa física. A também secretária municipal Solange Amaral (Habitação) e o ex-secretário de Obras, deputado estadual Eider Dantas, também contribuíram.
Ofereceram a mesma quantia doada por Ronaldo Cezar Coelho cinco pessoas jurídicas: duas construtoras (Brascan Imobiliária Incorporações S/A e Carvalho Hosken S.A. Engenharia E.), dois bancos (Unibanco e Itaú) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros. Ao todo, oito empresas ligadas ao setor imobiliário participaram com doações da candidatura do pefelista, conhecido como realizador de obras em grande quantidade.
O PFL investiu na candidatura do carioca um total de R$ 743.500. A vice-campeã de doações para a campanha de Cesar foi a empresa de engenharia ambiental Vega (R$ 200 mil), seguida pela Companhia brasileira de Petróleo Ipiranga e o grupo de papel e celulose Klabin S/A, ambas responsáveis por doações de R$ 150 mil.
Cesar Maia se antecipou à lei eleitoral e divulgou ontem, 16 dias antes do prazo final, a prestação de contas de sua campanha. Segundo os números apresentados, foram gastos quase R$ 2,5 milhões. O total de receita - toda ela em doações - foi de R$ 2.686.516,82. Restaram, ao fim da campanha, sobras no valor de R$ 194.229,78.
Uma semana antes da divulgação dos dados, Cesar Maia calculava os gastos em até R$ 2 milhões, ''não além disso''. Afirmou desconhecer os valores porque seria o partido o responsável pelo assunto. Sabia, no entanto, ter se tratado de ''uma campanha barata'' em relação às que realizou anteriormente.
Segundo Cesar, sua intenção era divulgar os financiadores durante a campanha. A vontade esbarrou, afirma, na necessidade de autorização dos próprios doadores. O pefelista diz que a divulgação acaba por prejudicar a campanha, já que as empresas e pessoas não querem ser vistas como ''cúmplices'' de um determinado candidato.
- Esse tipo de divulgação está acabando com o financiamento de campanha em caixa um. Na hora em que o financiador é apresentado como um cúmplice possível ele se inibe. Em outras campanhas tive muito mais facilidade em buscar recurso do que nessa, mesmo sendo prefeito. Ninguém quer dar o dinheiro - disse em entrevista ao JB, há cerca de duas semanas.