Título: Definição para auditores
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Fonte: Jornal do Brasil, 10/05/2005, Brasília, p. D1

Promotor decide se abre processo contra suspeitos

O Ministério Público do DF tem até a sexta-feira para decidir se encaminha à Justiça denúncia contra as 13 pessoas que estão detidas sob suspeita de participar do esquema de propinas na Receita Tributária do DF. O inquérito instaurado pela Polícia Civil foi remetido aos promotores ontem à tarde. Caso sejam denunciados, os suspeitos responderão a processo criminal. Todos já foram indiciados por crimes como corrupção ativa e extorsão. Os promotores terão como subsídio todo o material coletado durante os seis meses de investigação realizada pela Polícia Civil. São provas extraídas a partir de escutas telefônicas, monitorando dos suspeitos, e de documentos apreendidos nos escritórios de contabilidade devassados após a prisão das 13 pessoas, em 28 de abril. Além desse material, o Ministério Público analisará os depoimentos de sete dos 13 suspeitos, colhidos na semana passada pela Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil.

Segundo o titular da Promotoria de Defesa da Ordem Tributária, promotor Rubin Lemos, o Ministério Público analisará nos próximos dias, o conteúdo do inquérito para avaliar se há indícios suficientes para que seja oferecida a denúncia. Ele acredita que, a partir das provas haverá subsídio suficiente para que os promotores peçam à Justiça a instauração de processo contra os acusados.

- Não sabemos se serão denunciados por todos os crimes pelos quais foram indiciados. Mas os indícios são muito fortes no que concerne a extorsão, crime contra a ordem tributária e contra a fé pública - exemplifica o promotor.

Esse é o primeiro inquérito instaurado a partir das investigações realizadas durante a Operação Tentáculo a ser remetido ao Ministério Público. Nos próximos 20 dias, a polícia concluirá outros 19 inquéritos instaurados para apurar a participação, direta ou indireta, de 16 empresas e cerca de 80 empresários no esquema que culminava na não-cobrança de dívidas tributárias em troca de propinas pagas a auditores da Secretaria de Fazenda.

Segundo o delegado da Deco, Cícero Jairo Monteiro, empresários que teriam sido vítimas do achaque, ou que teriam aceitado pagar a propina em troca de terem seus débitos zerados, continuará a ser ouvidos durante os próximos dias. Até ontem, todos os 13 suspeitos de envolvimento no esquema - entre eles os auditores Sami Kuperchmit e Sônia Maria de Andrade Santos, considerados os líderes do grupo - continuavam pressos. Eles cumprem prisão preventiva, decretada pela Justiça no final de abril