Título: Parceiros da Vida
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 10/05/2005, Opinião / Opinião, p. D2

Nos últimos três anos, a saúde pública do Distrito Federal é alvo permanente de reprovação. O sistema se revela incapaz de atender, minimamente, às necessidades da população local. A pressão procedente das populações dos municípios do Entorno e a natural expansão demográfica do DF sempre foram utilizadas como argumentos pelos gestores públicos para tentar explicar a ineficiência dos serviços prestados. Faltam medicamentos, há carência de leitos para internação, a agenda de cirurgias permanece congestionada e as imensas filas impõem um sofrimento incomensurável aos que demandam a assistência médica na rede pública. As recentes descobertas da CPI da Saúde, instalada pela Câmara Legislativa, reforçam a antiga suspeita de que a crise está muito mais associada à má administração do setor do que propriamente à pressão exógena das cidades vizinhas. Mostrou que as medidas adotadas, não passavam de paliativos que escamoteavam interesses opostos às reais necessidades da sociedade.

Mas, apesar de todas as inegáveis falhas que, por si só, justificariam a implosão do sistema, há uma resistência anônima, na maior parte do tempo silenciosa, que vem garantindo os serviços de saúde na capital federal. Acima dos gestores estão os profissionais do setor, cujo trabalho é um mix de técnica e criatividade para a superação dos obstáculos que lhe são impostos todos os dias. Um desafio atrás do outro, que fazem dos médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, técnicos um grupo de resistência imbatível. Não se curvam diante das dificuldades, driblam a conjuntura adversa, se mantêm fiéis aos propósitos a que se dispuseram quando optaram por zelar pela saúde das pessoas, sem distinção de classe ou etnia. Mais do que os pacientes, eles têm sido tolerantes diante da falta de condições mínimas para o trabalho. Numa rápida passagem por esse universo, o JB descobriu, sexta-feira última, que esses profissionais são, efetivamente, parceiros no milagre da vida, no dia-a-dia da emperrada máquina da saúde na capital federal