Título: Caem internações por armas de fogo
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 10/05/2005, País, p. A5

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que a campanha do desarmamento provocou uma redução das internações hospitalares causadas por arma de fogo nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A queda recorde, de 10,5% no número de internações, foi no Rio. São Paulo teve redução de 7%. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, comemorou os resultados, ao receber cópia do levantamento. - Os números apresentados por esta pesquisa correspondem à expectativa que tínhamos com esta campanha. Trabalhávamos sempre em linha com os secretários de Saúde, e desde o começo, tenho esta como uma de nossas principais metas: reduzir as ocorrências hospitalares e os homicídios - disse Bastos.

Esta foi a primeira pesquisa mostrando a redução do número de internações hospitalares. O levantamento foi feito pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, com base nos dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Sistema Único de Saúde (SUS). Até agora, a Polícia Federal já recolheu mais de 300 mil armas de fogo e o governo indenizou os proprietários. A meta do governo é ultrapassar 400 mil armas.

O governo cruzou as informações hospitalares com os levantamentos da Secretaria Nacional de Segurança Pública sobre recolhimento de armas. Foram confrontados dados sobre internações hospitalares por causas relacionadas a armas de fogo de antes do início do Estatuto do Desarmamento - janeiro a julho do ano passado - e após a campanha do desarmamento, de setembro do ano passado e fevereiro último.

Ao analisar a média mensal de internações somente por armas de fogo, os técnicos ficaram surpresos com os resultados. No Rio, a média de internações com esta origem caiu de 180 no período anterior ao desarmamento para 161 após a campanha de recolhimento de armas. São 19 leitos que deixam de ser ocupados nos hospitais a cada mês. Em São Paulo, a média de internação por arma de fogo caiu de 475 ao mês, antes do desarmamento, para 442, após a campanha de recolhimento de armas. São 33 leitos que deixam de ser ocupados por pessoas baleadas a cada mês. No Rio, as agressões representam 70% das internações relacionadas a armas de fogo, percentual que cai para 48% em São Paulo.