Título: Skaf critica práticas chinesas
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 11/05/2005, Economia & Negócios, p. A19
Para presidente da Fiesp, país se beneficia de artifícios ilegais para ganhar mercado
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, foi uma voz dissonante ontem no segundo dia do 17º Fórum Nacional. Enquanto o discurso dominante foi o de que o Brasil precisa andar a passos rápidos para acompanhar os avanços de China e Índia nos campos tecnológico e comercial, o empresário lembrou que os chineses se beneficiam da prática de dumping e da pirataria.
Para ele, o Brasil deve buscar mecanismos de defesa comercial em relação à China.
- Temos que regulamentar uma salvaguarda específica contra a China. Não queremos protecionismo, mas uma concorrência leal e legal. A China não é uma economia de mercado, pois os preços não são definidos por uma realidade de mercado - acusou.
Skaf, no entanto, usou a China para alfinetar o governo brasileiro. O presidente da Fiesp lembrou que as indústrias nacionais encaram uma carga tributária de 37%, contra 15% na China, enquanto o spread bancário no país asiático é de apenas 5% contra 50% no Brasil.
- Na questão do câmbio, eles tem a moeda desvalorizada em 25%, enquanto nós temos o real sobrevalorizado em 15%. Só essa diferença já seria suficiente para tirar a nossa competitividade - garantiu, afirmando que qualquer indústria brasileira corre perigo caso atue em mercados nos quais os chineses operem.