Correio Braziliense, n. 21486, 13/01/2022. Brasil, p. 5

OMS rebate Bolsonaro



O diretor do programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mike Ryan, rebateu o presidente Jair Bolsonaro, que, ontem, mais cedo, disse que a variante ômicron é “bem-vinda” e que sinaliza “o fim da pandemia”. Foi durante uma entrevista ao site Gazeta Brasil.

“Não é a hora de declarar que este é um vírus bem-vindo. Nenhum vírus que mate pessoas é bem-vindo”, disse Ryan, respondendo a uma pergunta sobre a afirmação de Bolsonaro.

O diretor da OMS destacou, ainda, a importância do combate ao coronavírus e pontuou que, agora, “não é hora de desistir”. “Acho que o diretor-geral (da OMS, Tedros Adhanom) foi claro em seu discurso: embora a ômicron possa ser menos grave como vírus individual, isso não significa que seja doença branda. Existem muitas, muitas pessoas no mundo inteiro, agora mesmo, no hospital, na UTI e em respiradores”, salientou.

Na entrevista rebatida por Ryan, Bolsonaro menosprezou os impactos da nova cepa no Brasil. “A ômicron, que já se espalhou pelo mundo todo, como as próprias pessoas que entendem de verdade dizem, tem uma capacidade de difundir muito grande, mas é de letalidade muito pequena. Dizem até que seria um vírus vacinal. Segundo algumas pessoas estudiosas e sérias, e não vinculadas às farmacêuticas, a ômicron é bem-vinda e pode, sim, sinalizar o fim da pandemia”, disse.

Bolsonaro acrescentou que é “quase zero, um número muito pequeno” de crianças mortas pela infecção de covid-19 no país. “E esse número pequeno ainda tinha o fato de criança com comorbidade”, afirmou, acrescentando que, por isso, não se justificaria a vacinação em crianças”.

O Ministério da Saúde afirmou que, de março de 2020 a dezembro de 2021, 311 crianças de 5 a 11 anos morreram em decorrência da doença no Brasil. “Trezentas e poucas crianças (mortas)... Lamento cada morte, ainda mais de criança, a gente sente muito mais, mas não justifica a vacinação pelos efeitos colaterais adversos que essas pessoas têm”, atacou.

Frase

"Não é a hora de declarar que este é um vírus bem-vindo. Nenhum vírus que mate pessoas é bem-vindo”
Mike Ryan, diretor do programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde