Título: PMDB marcha para a candidatura própria
Autor: Alexandre Farah*
Fonte: Jornal do Brasil, 14/05/2005, Outras Opiniões, p. A11

A direção do PT e os auxiliares mais chegados ao presidente Lula já dão sinais sobre quem mais temem na eleição presidencial do ano que vem: o ex-governador Anthony Garotinho. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os dirigentes do PSDB também dizem abertamente que só Garotinho será capaz de levar a eleição para o segundo turno, tudo o que um desgastado Lula menos deseja.

Só quem resiste hoje à candidatura Garotinho são os setores fisiológicos do próprio PMDB e alguns líderes do partido, por mero interesse eleitoral, seja na esfera federal ou em seus estados, onde não têm força para enfrentar sozinhos os seus opositores. A direção do PMDB, no entanto, marcha para a candidatura própria e o nome de Garotinho emerge com força total para ser o candidato do partido.

O presidente do PMDB, Michel Temer, o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, figura de peso no partido, e Garotinho se reuniram e reafirmaram a tese, aprovada em convenção, de que os peemedebistas terão candidato próprio em 2006. Os governistas, adeptos do apoio à reeleição de Lula em troca das migalhas distribuídas pelo Palácio do Planalto, perdem prestígio e adeptos em todos os estados.

As pesquisas, no entanto, mostram que o único candidato viável no PMDB é Anthony Garotinho, que tem um projeto de governo voltado para os interesses da população, sem privilegiar banqueiros e grandes proprietários de terras, apontados por Lula como inimigos durante a campanha eleitoral e rapidamente guindados à condição de amigos e aliados tão logo os petistas assumiram o governo.

Garotinho não mudou de opinião. Não aceitou e não aceita que sua campanha receba doações de banqueiros. Não assume nenhum compromisso que lhe tire, depois de eleito, a liberdade de promover as mudanças que o Brasil necessita para crescer, gerar emprego e renda e diminuir as desigualdades regionais.

Consultada por diferentes institutos de pesquisa, a população brasileira apontou Garotinho como o principal opositor de Lula, já que aparece em segundo lugar, não importa quem sejam os demais candidatos. Garotinho, ainda segundo as pesquisas, é o único caminho para levar a eleição ao segundo turno.

O PMDB é um partido estruturado em todo o território nacional. Tem uma história de luta pela democracia e pelo desenvolvimento do país. Não é legenda de aluguel, não pode ficar a reboque de quem eventualmente está no poder. Um partido que já teve Ulysses Guimarães como seu grande líder merece um candidato com programa de governo condizente com os interesses da maioria do povo brasileiro.

Todos os partidos políticos visam chegar ao poder para colocarem em prática os seus projetos para o país. O PMDB, com Garotinho candidato, terá uma equipe de primeira linha, comandada pelo economista Carlos Lessa, para elaborar o programa de governo que levará o Brasil à retomada do desenvolvimento com justiça social.

A disputa interna é democrática, afinal todos têm o direito de pleitear candidatura ou de defender as teses que considerem mais adequadas. No final, como sempre, prevalecerá o candidato com mais viabilidade eleitoral e com o melhor programa. No PMDB esse candidato é Anthony Garotinho, que depois de escolhido em convenção terá o apoio do conjunto do partido.

*Alexandre Farah é fundador do PMDB