Título: Um erro de 'apenas' R$ 400 milhões
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 14/05/2005, Economia & Negócios, p. A19

Por engano, BNDES anuncia lucro maior

Foi um resultado divulgado com orgulho pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega. A instituição teria conquistado, no primeiro trimestre de 2005, lucro de R$ 1,4 bilhão. A cifra superava em 28% a obtida em igual período de 2004. O resultado chegou a ser apresentado como superior até aos dos gigantes privados Bradesco (R$ 1,2 bi) e Itaú (R$ 1,14 bi). Pela segunda vez à frente da divulgação de um balanço do BNDES, Mantega atribuía o número ''às apostas bem-sucedidas do banco''. E comemorou o fato de que o resultado permitiria capitalização ''sem recursos do Tesouro''. Mas, poucas horas depois, a Comissão de Valores Mobiliários chamava atenção do Banco para um equívoco de R$ 400 milhões. O lucro estava inflado em quase 40%. O número correto é R$ 1 bilhão, 9% menor do que o do primeiro trimestre de 2004.

A correção se deveu a um erro de metodologia. Em vez de considerar o valor patrimonial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na carteira do BNDESpar, conforme as regras corretas de contabilização, o presidente Guido Mantega considerou o valor de mercado da siderúrgica. A correção reduziu de R$ 1,1 bi para R$ 732 milhões os ganhos com renda variável.

Entre a divulgação e a correção, o banco informou, ainda, que os desembolsos entre janeiro e abril caíram 2% em relação a igual período de 2004. No período, foram concedidos R$ 12 bilhões.

Os investimentos acenderam a luz amarela: houve queda de 6% no número de cartas-consulta, que medem a demanda imediata por crédito do empresariado. Em abril, contudo, a procura por dinheiro do banco de fomento cresceu 35,7% em relação ao mesmo mês de 2004.

Com menos procura por crédito nos últimos meses, também caiu o total de projetos aprovados. A redução das aprovações foi de 8%, com R$ 10,4 bi em financiamentos prestes a serem liberados.