Título: PT em pé de guerra pelo Diretório Regional
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 15/05/2005, País, p. A5

Campo Majoritário se divide entre três pré-candidatos

A unidade nunca foi dos atributos mais caros ao PT no Rio de Janeiro. Neste ano, não poderia ser diferente. Faltando quatro meses para a eleição que vai definir os novos presidentes dos diretórios nacional, regionais e municipais do partido, o Campo Majoritário, que reúne cerca de 65% dos petistas, está dividido entre três candidatos à presidência do Diretório Regional.

Segundo petistas, com a força que tem o Campo, o nome escolhido pela chapa já está virtualmente eleito. A certeza é tanta, que tendências mais à esquerda estudam lançar uma chapa sem ''cabeça'', ou seja, com postulantes aos 58 cargos do diretório, mas sem candidatos à presidência regional.

No Campo Majoritário, o atual presidente do Diretório, Gilberto Palmares, concorre à reeleição. O deputado federal Luiz Sérgio, um dos mais fiéis defensores do governo federal no Congresso, também disputa. No entanto, quem deve levar a cabeça da chapa é o secretário-geral da executiva regional, Alberto Cantalice, conhecido como Albertinho.

Homem da máquina partidária, e sem nunca ter tido um cargo eletivo, Cantalice surgiu no PT de Nova Iguaçu em 1990, vindo do Partido Comunista. Em 1997, foi eleito presidente do diretório municipal e agora, aos 40 anos, pode tornar-se presidente do Diretório Regional pelo apoio dos caciques do PT fluminense, Marcelo Sereno e Jorge Bittar.

Escolhido para a espinhosa tarefa de mediar a crise iminente, o vereador Edson Santos garantia na noite de sexta-feira que Cantalice já era o único candidato do Campo Majoritário ao Diretório. Mas, Luiz Sérgio negava:

- Não está nada fechado. E, mesmo que venha a fazer o acordo, continuo crítico a um nome frágil e de pouca representatividade. Preciso de argumentos políticos e não de desculpa fajuta - disparou.

Cantalice afirma que sua candidatura foi colocada para que o presidente desse dedicação exclusiva ao partido e não estivesse ocupado com campanha. Mas, parlamentares petistas garantem que a escolha de Cantalice seria para facilitar o controle do partido por Marcelo Sereno e Bittar.

Previsto para 18 de setembro, a eleição do PT é hoje a maior preocupação do Campo Majoritário. No plano nacional, a tendência tentará reeleger José Genoino como presidente do Diretório Nacional. As avaliações são de que ele será reeleito, a dificuldade é evitar um desgastante 2º turno, já que há pelo menos três outras chapas.

O medo é que as disputas internas atrapalhem a reeleição de Lula em 2006. Segundo Edson Santos, Palmares e Sérgio abrirão mão das pré-candidaturas pela unidade partidária. Em troca, Palmares seria um dos sete nomes que poderão vir a compor a Direção Nacional e Luiz Sérgio teria sua ''liderança fortalecida''.

- É um jogo em que todos ganharam um pouco - disse.