Título: Atuação em vários ramos
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 15/05/2005, País, p. A7

A Kroll Associates fez devassas nas contas bancárias de várias pessoas e empresas de forma ilegal. Os saldos bancários dos investigados foram encontrados nos computadores da sede da empresa em São Paulo. Muitas quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico eram feitas a pedido de grandes escritórios de advocacia e empresários, para levar vantagem em disputas judiciais. No dia 29 de setembro de 2003, o investigador da Polícia Civil de São Paulo Edmar Batista enviou e-mail ao investigador da Kroll Thiago Santos. Na correspondência, Edmar envia os saldos bancários e das aplicações da empresária Violeta Siciliano e de Luiz Felipe Gontier, no Banco Itaú. Na sede da Kroll, foi apreendida uma pasta mostrando que a investigação de Violeta foi feita a pedido do escritório Rebouças Advogados, para atuar no inventário dos bens deixados por Edmundo de Azevedo Xavier, a pedido de duas herdeiras. O advogado Virgílio Rebouças não quis dar detalhes sobre a investigação para seu escritório.

- Tivemos interação com a Kroll, mas por dever profissional não posso comentar. Essas coisas são feitas dentro do sigilo profissional. É confidencial.

O policial Edmar Batista foi interrogado pela PF e comprovou que trabalhou para a Kroll. Ele revelou que foi à sede da empresa e tinha contatos com um dos diretores da Kroll no Brasil, Vander Giordano, e com a investigadora Júlia. Documentos bancários e dados pessoais de Violeta e Gontier foram repassados por fax da Empresa Nacional de Análises Comerciais, que trabalha para a Kroll.

A pedido de outro escritório de advocacia, a Kroll investigou ativos e bens dos sócios da Ceagro Armazéns Gerais. O relatório preparado inclui cópias do Imposto de Renda dos sócios da Ceagro, que negam ter entregue documentos pessoais à empresa.

Outro documento interceptado com autorização judicial mostra uma quebra de sigilo bancário feito pela Kroll. Em 19 de janeiro do ano passado, a funcionária Karina Nigri escreve a Gláucio Mashimo. Na mensagem, diz textualmente que encontrou ''valores anormais'', tais como ''depósitos acima de R$ 9 mil'', na conta bancária da investigada ''Maria José''.

Na sede da Kroll em São Paulo foi encontrado um documento que Carlos Henrique, de Curitiba, enviou à funcionária Karina Nigri, no qual consta pesquisa sobre Walterci de Melo, contendo valores das declarações do IR de cinco anos seguidos, as ''aplicações financeiras'', veículos e bens imóveis.

A PF encontrou na sede da Kroll um relatório dirigido à Indústria Arteb, com investigação sobre Domenico Montone. O documento trazia os valores cobrados pela Kroll para ''pesquisa em cerca de 20 bancos, de projeção nacional'' com o objetivo de ''identificar contas bancárias''. No mesmo relatório estão anexados os extratos de conta em nome de Montone. A pasta inclui o valores que teriam sido pagos por Pedro Eberhardt à Kroll para fazer a investigação. Em outra pastafoi encontrada proposta de investigação da empresa Brasilsat Harald, para levantar ''propriedades e patrimônio'' em nome de Sandoval de Morais, ex-presidente do Banco Progresso.