Título: Três anos com ajustes
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 15/05/2005, Economia & Negócios, p. A19
Desde 1999, os parâmetros anuais definidos para o IPCA foram alterados três vezes. A primeira modificação ocorreu na meta 2003, cujo percentual original era de 3,25% e passou para 4% (com intervalo de 2,5 pontos percentuais). Naquele ano o IPCA foi de 9,30%. A segunda modificação foi feita para 2004, que elevou a meta de 3,75% para 5,5% (com intervalo de 2,5 pontos percentuais). Em 2004, IPCA fechou em 7,60%. A última revisão foi feita para o parâmetro definido deste ano, que era 4,5% e foi ajustado para 5,1%.
A incerteza quanto ao comportamento dos capitais internacionais provocada pela instabilidade do preço do petróleo no segundo semestre do ano passado e o reflexo disso no Brasil foram dois dos motivos que levaram o BC a ajustar a meta de 2005.
Os custos em perseguir metas inferiores a 5% podem ser observados no ano em curso. O ajuste foi reforçado com a adoção de uma política de juros restritiva que se traduziu em oito elevações sucessivas na taxa Selic, que passou de 16% em setembro para 19,50% em abril.
O aperto foi feito, segundo o BC, para conter pressões inflacionárias por meio da desaceleração da atividade produtiva. Duas das conseqüências foram desaceleração no ritmo de crescimento da economia e aumento dos juros pagos sobre a dívida pública.
No período em que a Selic passou de 16% para 19,25% (de setembro a março), o gasto para pagar juros da dívida pública em títulos federais foi de R$ 72,854 bilhões. A despesa deverá avançar nos próximos meses e será responsável pela reversão da tendência de queda da dívida pública frente ao PIB, um importante indicador da solvência do país.