Título: Sucessão de escândalos e denúncias
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/05/2005, País, p. A3

O esquema de corrupção nos Correios junta-se a outros escândalos e denúncias ocorridas desde o início do mandato do presidente Lula, envolvendo membros do governo ou da base governista, de várias naturezas e dimensões.

Em setembro de 2003, o deputado Pedro Corrêa (PE), presidente nacional do PP, partido que integra a base governista, foi citado em relatório da CPI da Pirataria, como supostamente envolvido com a máfia de adulteração de combustíveis. Em fevereiro de 2004, veio à tona o caso Waldomiro Diniz, então assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil), que aparecia negociando propinas em gravação de 2002. O episódio arranhou uma das mais importantes bandeiras do PT, a ética na política, e serviu de munição para a oposição.

Em maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Vampiro, para investigar denúncias de irregularidades no processo de licitação para compra de hemoderivados no Ministério da Saúde. Pelas apurações da PF, um grupo manipulava as compras da pasta por meio do pagamento de propina. No ano passado, 17 lobistas, empresários e servi dores da Saúde foram presos por envolvimento com a quadrilha que superfaturava os hemoderivados.

Três meses mais tarde, em agosto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi acusado de crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas. O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Augusto Candiota, foi demitido por não conseguir explicar a movimentação de suas contas no exterior.

No último mês de 2004, a PF prendeu empresários e servidores do TCU acusados de fraudar licitações. Entre as empresas relacionadas encontrava-se a Confederal, que tem como um dos sócios o ministro das Comunicações, Eunício de Oliveira (PMDB). A assessoria do ministro informou que ele está afastado da empresa desde novembro de 1998.

Desde que assumiu o Ministério da Previdência, em março, Romero Jucá (PMDB-RO) enfrenta uma série de acusações, entre elas de obtenção fraudulenta de empréstimos subsidiados e de apropriação de verbas públicas. As denúncias serviram de base para o jornal inglês Financial Times afirmar, em matéria de 25 de abril, que uma ''corrupção endêmica assola o Brasil''. O diário festeja a condenação do juiz Nicolau dos Santos Neto pelo desvio de R$ 169,5 milhões, assim como as investigações realizadas desde então. Mas, segundo o jornal, ''a corrupção é um fato do cotidiano e as chances de se ser punido por isso são próximas a zero''.