Título: Dantas e Citibank foram parceiros
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Fonte: Jornal do Brasil, 16/05/2005, País, p. A4
Objetivo era evitar a participação da Telecom Italia na Brasil Telecom
BRASÍLIA - A incursão do banqueiro Daniel Dantas pelos meandros da espionagem é um imbróglio de alianças táticas e parcerias surpreendentes. Apesar das recentes rusgas entre Opportunity e Citibank, que levaram à destituição de Dantas como gestor do fundo CVC (Citibank Venture Capital), braço de capital de risco do banco americano, o objetivo comum de alijar a Telecom Italia do comando da Brasil Telecom fez com que os agora ''ex-parceiros'' se unissem também na instrumentalização da Kroll Associates. Mediante esquemas ilegais de investigação, o objetivo era expurgar a Telecom Italia de quaisquer participações na Brasil Telecom.
Apesar de Dantas ser o ponto de referência de toda a comunicação com a multinacional da espionagem desde 2000, como mostra relatório da Divisão de Inteligência (DIP) da Polícia Federal, a Kroll manteve contatos regulares também com altos executivos do Citibank sobre a dinâmica do esquema de apurações ilegais no Brasil.
Em carta de 1º de março deste ano destinada a Richard Swanson, co-presidente de litígios corporativos do escritório de advocacia Thelen, Ried & Priest LLP, contratado pela Brasil Telecom, Peter Holder, chefe mundial de investigações da Kroll, descreve a interação regular entre seus espiões e executivos do Citibank.
Durante todo o ano de 2004, funcionários da Kroll tiveram por interlocutor o Chefe do CVC, Mike Carpenter. Participaram também de vários encontros com a Kroll os executivos Paulo Caldeira e Mary Lynn Putney, à época responsáveis pelas relações do Citibank com o Opportunity de Dantas. Estas reuniões também envolviam membros do Departamento Jurídico do CVC.
Nessas ocasiões, o CVC recebia dos espiões da Kroll relatos pormenorizados de devassas em contas bancárias, quebras de sigilo telefônico por meio de escutas não-autorizadas pela justiça brasileira, além de outras ilegalidades cometidas em nome dos interesses do Opportunity e do banco americano.
Ao final de 2004, Ed Green, chefe do Departamento Jurídico de uma das divisões do Citibank, o Global Investment Bank, teve acesso a documentos e relatórios obtidos a partir das ilegalidades perpetradas pela Kroll. A apresentação dos resultados obtidos pelo poderoso esquema de infiltrações arregimentado por Dantas à equipe de Green e outros funcionários do Citibank era autorizada pela própria Brasil Telecom, na figura de sua presidente, Carla Cicco.
Suspeita-se, no limite, que a utilização dos estratagemas da Kroll visavam à própria saída da Telecom Italia de quaisquer atividades empresariais no Brasil.