Título: Bastos promete investigação ''ampla''
Autor: Daniel Pereira e Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Jornal do Brasil, 17/05/2005, País, p. A3

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, prometeu ontem uma investigação ''ampla e profunda'' na denúncia de corrupção nos Correios. Reportagem da revista Veja mostra o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Materiais dos Correios, Maurício Marinho, cobrando propinas em licitações. Segundo ele, com a ''cobertura'' do presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Bastos lembrou que o ministro Eunício Oliveira afastou todos os servidores públicos envolvidos no caso. Pela manhã, Bastos conversou com o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, e pediu que as investigações começassem ontem mesmo, antes da abertura formal do inquérito - Este governo é absolutamente intransigente com a corrupção. Pior que a corrupção, é a corrupção impune - disse Thomaz Bastos.

Eunício enviou ontem um expediente a Thomaz Bastos, pedindo investigação nos Correios. No ofício enviado ao ministério, Eunício solicita que Bastos adote as providências que o caso requer, no âmbito das atribuições constitucionais, considerando os termos da reportagem, ''dando conta de irregularidades no âmbito dos Correios''.

Assim que recebeu o expediente de Eunício, Bastos enviou solicitação à PF para a abertura de inquérito policial. A Polícia Federal nomeou um delegado da Corregedoria Geral para investigar o caso. O processo de apuração vai contar com a ajuda do Ministério Público e será focada sobre o servidor público Maurício Marinho, que deve ser chamado para depor nos próximos dias. Caso a investigação confirme o envolvimento de Jefferson com a propina, o inquérito será direcionado ao Supremo Tribunal Federal.

Eunício também encaminhou ofício à Controladoria-Geral da União (CGU) solicitando ampla apuração sobre o caso. Em reunião no fim da tarde, a Controladoria e a PF discutiram uma estratégia conjunta e coordenada de investigação. A CGU também decidiu designar uma Comissão Especial para acompanhar o trabalho da Comissão de Sindicância instalada pelos Correios. Se necessário, a CGU pode avocar para si o processo.

A Controladoria, que já havia designado auditores para fiscalizar o órgão, num procedimento de rotina, a partir da denúncia da Veja também resolveu reforçar a equipe orientando-a a definir como foco de atuação os grandes contratos de licitação, tema abordado pela revista na denúncia.