Título: Refino impulsiona Petrobras
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 17/05/2005, Economia & Negócios, p. A17

Aumento na produção de derivados de petróleo leva estatal a exportar mais e importar menos no primeiro trimestre

Os investimentos da Petrobras na ampliação da capacidade de processamento de óleo pesado nas refinarias já refletiram positivamente no resultado do primeiro trimestre, período em que a estatal lucrou R$ 5,021 bilhões. Graças ao aumento na produção de derivados, as importações de combustível foram reduzidas em 65%, de 109 mil barris para 46 mil barris por dia, o que levou as importações da estatal a US$ 1,3 bilhão, enquanto as exportações somaram US$ 1,4 bilhão. Foi a primeira vez na história que a petroleira nacional fechou um trimestre como exportadora líquida em volume em em valor. Em 2003, a empresa já havia conseguido exportar mais em volume.

As vendas ao exterior só não foram maiores no primeiro trimestre porque a exportação de petróleo diminuiu em volume, de 181 mil barris para 161 mil barris diários, enquanto as importações de petróleo passaram de 417 mil barris no primeiro trimestre do ano passado para 322 mil barris no mesmo período deste ano. As vendas externas de derivados, entretanto, passaram de 228 mil para 235 mil barris por dia entre o quarto trimestre de 2004 e o primeiro deste ano.

- Nossa expectativa é de continuarmos sendo exportadores líquidos nos próximos trimestres - afirmou o diretor-financeiro da estatal, José Sergio Gabrielli.

A companhia realizou investimentos bilionários na modernização e adaptação das refinarias a petróleo bruto, que é preponderante na produção brasileira. Com isso, espera-se que o país consiga aumentar o processamento de óleo e, conseqüentemente, suprir seu abastecimento, considerando ainda um aumento da produção diária com a entrada em operação de novas plataformas. A estatal prevê a auto-suficiência para 2006 e projeta já para o próximo ano alcançar a auto-suficiência ''sustentada'' - possível de ser mantida ao longo de anos.

O diretor da Petrobras destaca, ainda, que a auto-suficiência em gás será provavelmente, no ano que vem. Mas ressalva que a empresa não é único fornecedor de combustíveis do país, ''embora tenha mais de 98% do mercado''.

No esforço para se manter como exportadora líquida ao longo do ano, a Petrobras conseguiu superar a marca dos 1,8 milhão de barris diários de petróleo produzidos, no último dia 12. O recorde anterior havia sido de 1,792 milhão de barris, em 25 de abril. O salto acontece mesmo antes de a plataforma P-48, na Bacia de Campos, atingir sua capacidade plena de produção. A P-43, instalada no campo de Caratinga, também na Bacia de Campos, já funciona a toda carga desde março, com produção de 150 mil barris diários.

O aumento da produção acontece num momento de alta de preços. Gabrielli avalia que o preço do petróleo continuará elevado nos próximos meses. Entre os motivos principais para manter o preço do óleo na alturas está a escassez de refino no mundo e a elevada demanda chinesa.

- O refino está no limite. Qualquer oscilação de demanda pode influenciar. A China importou 2,99 milhões de barris de óleo cru - disse Gabrielli.

A Petrobras planeja ainda os detalhes finais para a aquisição da térmica Macaé Merchant, da El Paso. A estatal já comprou as usinas Termoceará, da MPX (do empresário Eike Batista), e a Eletrobolt, da Enron. A petroleira optou por adquirir as três térmicas merchant para acabar com os prejuízos milionários provocados pelos contratos realizados com estas na época do racionamento.

As térmicas foram construídas com o objetivo de funcionar em último caso, em situação de escassez de energia, pois produz eletricidade bem mais cara que a média. O excesso de energia acabou inviabilizando a venda das térmicas, mas a Petrobras assegurou a rentabilidade das três empresas investidoras em contratos que se transformaram em dor-de-cabeça para a estatal.

A Petrobras já havia anunciado, na semana passada a conclusão da compra da usina térmica Eletrobolt, após uma renegociação com 17 bancos comerciais responsáveis pela operação que resultou em uma economia de US$ 25 milhões.