Título: Reprovação recorde no exame da OAB
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/05/2005, Brasília, p. D5
Nem 30% dos formados passam
Nunca foi tão baixo o índice de aprovação no Exame de Ordem da OAB do Distrito Federal como na primeira edição deste ano: 71% dos inscritos foram reprovados, contrariando a média histórica dos últimos exames, que variava entre 40% e 60% de aprovação. O presidente da Comissão de Estágios e Exame de Ordem, Paulo Thompson Flores, vice-presidente da OAB-DF, afirma que ainda não é possível avaliar se a redução do número de aprovações é uma tendência. Por ano, são feitos três exames com o objetivo de analisar se os bacharéis em direito estão aptos para exercer a profissão.
- No cenário do país inteiro, o índice do DF está em um patamar satisfatório, mas essa queda isolada não determina uma tendência - argumenta Flores.
O próximo Exame de Ordem da OAB será feito em agosto. Em 2004, o índice de aprovações na primeira prova foi inferior ao das duas seguintes. Dos 876 candidatos inscritos em março, apenas 45,78% foram aprovados. Em agosto, o número de inscritos aumentou para 976 e o número de aprovados subiu para 53,69%. Em dezembro, a média se manteve com 54,97% de aprovações para 906 candidatos.
O resultado da segunda fase, divulgado ontem, ainda não é definitivo. Os candidatos têm até às 19h de amanhã para entrar com recurso. Mesmo assim o número de aprovações deverá se manter abaixo das expectativas. Dos 1.184 inscritos, 568 passaram para a segunda fase. Destes, apenas 306 conseguiram obter a média seis para obter a aprovação, ou seja, um total de 28,18%.
Em São Paulo, dos 20 mil inscritos na primeira fase, considerada mais fácil por ter questões objetivas, apenas 12,2% foram aprovados. No Mato Grosso apenas 165 candidatos dos 944 inscritos conseguiram a carteira da OAB. Embora abaixo da média, o índice de reprovações em Minas Gerais, correspondente a 62,55%, foi um dos menores do País.
- Daremos um retorno às faculdades para mostrar em qual área os alunos estão tendo mais dificuldade - afirma Paulo Thompson Flores.
Aprovada no último exame, a brasiliense Andressa Mirella Torres, 23 anos, garantiu que a prova não foi difícil, mas que era chata de fazer. Mesmo assim, acredita que ainda existem problemas e que prova não avalia bem os candidatos, apesar de ter melhorado desde a instalação da Comissão de Estágio e Exame de Ordem, há um ano.